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Desde segunda-feira as entidades que lutam pelo direito
a moradia, estão acampadas em frente a Caixa Econômica
Federal, as mobilizações se iniciaram com ocupações
em várias regiões da cidade, com atos em frente à
Prefeitura de São Paulo e a CDHU.
As entidades entregaram ao Governo Estadual e Municipal uma carta
com as suas reivindicações e realizaram duas reuniões
com a CEF, sendo que em uma delas contou com a presença de
representante do Ministério das Cidades.
As entidades apresentaram a reivindicação de realizarem
uma reunião conjunta com os Ministérios da Cidade, Fazenda
e Planejamento. Ficou agendada para o dia 21 de novembro uma reunião
com o Vice-presidente de desenvolvimento urbano da CEF, onde solicitamos
tembém a presença do Presidente da Caixa.
Segue abaixo a carta de reivindicações e fotos do acampamento.
Pela
retomada de todos os empreendimentos paralisados, por mais recursos
para moradia popular
e por uma política habitacional para famílias de baixa
renda.
Nós
Entidades de luta pelo direito à moradia, União dos
Movimentos de Moradia de São Paulo - UMMSP e Federação
das Associações de Moradores do Estado de São
Paulo- FACESP, vimos denunciar a toda população o que
vem ocorrendo no Estado de São Paulo com referência à
pólitica habitacional, seja no âmbito do Governo Federal
– Governo Estadual e Prefeitura de São Paulo.
Desde janeiro deste ano, a partir da posse do prefeito José
Serra, já passaram mais de dez meses e a prefeitura de São
Paulo vem paralisando todos os empreendimentos habitacionais de interesse
social na cidade. Com relação ao programa mutirões,
a Prefeitura abandonou 31 empreendimentos prejudicando cerca de quatro
mil famílias, como se não bastasse, foram paralisados
também os programas de regularização fundaria,
urbanização de favelas, as verbas de emergência
para áreas de riso, com em risco de vida milhares de pessoas
moradoras em favelas, locação social, bolsa aluguel,
deixando sem perspectivas de moradia na região central mais
de duas mil famílias em função dos despejos e
violentas reintegrações de posse.
Com relação ao Governo Estadual, apesar do déficit
habitacional no estado atingir mais de um milhão de moradias,
desde 2000 não há um único novo empreendimento
de Mutirão com Autogestão, os contratos ainda assinados
pelo falecido governador Mário Covas estão paralisados,
deixando cerca de 650 famílias sem atendimento habitacional,
os empreendimentos por Empreitada Integral ou Global ( EI e EG), não
atendem as famílias de baixa renda, o programa de urbanização
de favelas, é absolutamente insuficiente para o grave problema
que atinge mais de dois milhões de famílias paulistas,
a proposta orçamentária para a área central nem
de longe atende as expectativas dos milhares dos encortiçados
no Estado, e a para agravar a situação Companhia Estadual
de Desenvolvimento Habitacional e Urbano – CDHU, tem deixado de gastar
os recursos orçamentários aprovados todos anos, com
acréscimo de 1% da alíquota de ICMS, que garante para
cerca de 600 milhões de reais todos anos na caixa da CDHU,
para os programas de Habitação Popular.
O Governador Geraldo Alckmin além de não dialogar com
os movimentos organizados, assumiu a cerca de três anos o compromisso
na primeira Conferência Estadual das Cidades de enviar o projeto
de Lei Criando Fundo Estadual de Moradia Popular o Conselho Estadual
das Cidades, e ainda não o fez.
E com relação ao Governo Federal, embora haja um processo
de Conferência das Cidades, a grande maioria os programas federais
não atendem as famílias com renda abaixo de três
salários mínimos, são extremamente burucráticos,
não atuam na perspectiva da redução déficit
que atinge mais de 15 milhões de famílias em todo país,
os recursos orçamentários do Ministério das Cidades
estão congelados em função superávit primário
e o governo ainda está descumprindo o que foi acordado com
o Fórum Nacional da Reforma Urbana na Marcha Nacional da Reforma
Urbana, nos 15 e 16 de agosto de 2005, em que o próprio Ministro
das Cidades Márcio Fortes e o Presidente Lula assumiram que
destinariam 600 milhões do Orçamento Geral da União
(OGU), para Fundo Nacional de Moradia Popular, e agora estão
destinando uma inaceitável e vergonhosa rubrica orçamentária
de 100 milhões de reais para habitação popular
reais em todo o país.
Assim
sendo, a UMMSP e a FACESP exige:
Da
prefeitura de São Paulo:
1-
Retomada dos 31 Mutirões paralisados no município;
2- Retomada de todos os empreendimentos habitacionais na área
central;
3- Retomada dos Programas de Bolsa Aluguel e Locação
Social;
4- Fim de todos despejos e reintegração de posse, com
atendimento habitacional imediato para as famílias que estão
jogadas na rua;
5- Retomada do Programa de Urbanização de Favelas e
atendimento das famílias em áreas de risco, com liberação
das verbas de emergência habitacional;
6- Imediato atendimento das famílias que estão despejadas
das ocupações da rua Paula Souza e rua Tenente Pena;
7- Construção de 30 mil moradias para as famílias
de baixa renda no ano de 2006.
Do
Governo Federal:
1-
Imediato atendimento do compromisso do Presidente da República
de aportar 600 milhões de reais no Orçamento Geral da
União, para o Fundo de Moradia Popular;
2- Desburocratização do programa Crédito Solidário
e demais programas habitacionais do governo federal com atendimento
de famílias com renda abaixo de três salários
mínimos;
3- Conselho das Cidades de Caráter Deliberativo;
4- Imediata regulamentação do Fundo Nacional de Moradia
Popular e paridade entre Sociedade Civil Organizada e Poder Executivo
Federal, Estadual e Municipal, no seu Conselho Gestor, conforme aprovado
no Conselho Nacional das Cidades;
5- Construção de 1 milhão de Moradias Populares
para famílias com renda abaixo de três salários
mínimos em todo país no ano de 2006.
6- Envio de uma Emenda Constitucional à Câmara Federal,
garantindo recursos permanentes para habitação no Fundo
Nacional de Moradia Popular e em todos os níveis de governo.
Do governo Estadual :
1-
Imediata assinatura, dos contratos de mutirões paralisados
na CDHU, desde o ano 2000;
2- Criação de uma Comissão de Intermediação
de Conflitos Fundiários, a fim de acabar ou buscar alternativas
habitacionais para os despejos ou reintegrações de posse
coletivas no Estado de São Paulo;
3- Aplicação da totalidade do 1% do ICMS em habitação
popular no Estado de São Paulo;
4- Envio imediato do Projeto de Lei à Assembléia Legislativa
que dispõe sobre a Criação do Fundo e Conselho
Estadual de Moradia de Moradia Popular e Conselho Estadual das Cidades.
5- Apoio à aprovação da Alteração
do Artigo 180 da Constituição Estadual que dispõe
sobre a regularização fundiária de áreas
públicas.
6- Regionalização dos processos de seleção
para os empreendimentos de empreitada global e integral, proporcionando
o atendimento às famílias de baixa renda;
7- Ampliação de recursos orçamentários
para os programas de habitação em área central
e urbanização de favelas.
8- Construção de 150 mil moradias para famílias
de baixa renda no ano de 2006.
União
dos Movimentos de Moradia de São Paulo
Federação das Associações de Moradores
do Estado de São Paulo - FACESP
FOTOS
DO ACAMPAMENTO NA FRENTE DAS CEF,
DAS ENTIDADES UMMSP E FACESP |
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