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Enviada
13/03/2009 Relato da Reunião com a Ministra Dilma Roussef Palácio do Planalto, 3 de março de 2009 A
reunião teve a participação da Ministra da Casa
Civil Dilma Roussef, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o Ministro
das Cidades, Márcio Fortes, o Secretário Geral da Presidência,
Luis Dulci, a Secretária Nacional de Habitação
Inês Magalhães e o Vice-Presidente da Caixa, Jorge Hereda.
Participaram da reunião as seguintes lideranças: Bartiria,
Valtuídes e Valério (CONAM), Donizete, Matos e Evanize
(UNMP), Dito, Saulo e Paulo Cohem (CMP), Edymar, Antônio José
e Miguel (MNLM), Ricardo Gouveia (FNRU) e os deputados federais Zezeu
Ribeiro e Paulo Teixeira.
O Ministro Guido Mantega apresentou as linhas gerias das propostas, informando que acredita na importância da proposta de 1 milhão de moradias porque atende a uma demanda social importante e pode gerar empregos rapidamente nesta época de crise. O eixo principal das propostas é a concessão de subsídio para atender as faixas de 0 a 10 salários mínimos. Na faixa de 0 a 3 salários mínimos, o subsídio deve ser integral e as famílias apenas retornarão uma prestação simbólica. Eles não precisarão a quantidade de recursos para essa faixa, mas um número entre 200 mil e 350 mil moradias. Reconhecem que esta é a faixa com maior carência, mas que a quantidade de recursos ainda não esta definida. Na faixa de 4 e 5 salários mínimos, também haverá uma grande parcela de subsídio, porém parte dos recursos será financiamento. Não haverá "entrada", durante as obras será cobrada uma prestação simbólica e após a entrega, as prestações não poderão ultrapassar 20% da renda. Não haverá cobrança de seguro, que será pago pelo governo, incluindo, assim, o atendimento aos idosos. Para esta faixa serão destinadas 400 mil moradias. Na faixa de 6 a 10 salários mínimos, haverá subsídio menor e também menor valor de seguro. O limite de financiamento será de R$ 130 mil reais. O Ministro informou que ainda não tem os valores fechados, mas que os recursos para subsídio virão do OGU e do FGTS, que devem somar mais de R$ 10 bilhões e a maior parte deve vir do OGU. A Ministra informou que o OGU fará um aporte no FDS para dar continuidade do programa Crédito Solidário. Outras medidas serão: - opção na forma do financiamento, possibilitando a utilização da tabela Price; - carência no pagamento das prestações em caso de desemprego - 36 meses para faixa de 0 a 3 SM, 24 meses na faixa de 4 a 5; e 12 meses de 6 a 10; - redução das custas de cartório; - criação de linha de financiamento para infra-estrutura para habitação; - aumento da linha de financiamento para a compra de materiais de construção (aumento dolimite para R$ 25 mil e prazo até 120 meses) e diminuição das garantias exigidas; - diferentes limites de financiamento de acordo com as características da região. Após
essa explanação, os representantes dos movimentos apresentaram
suas preocupações e propostas:
Defendemos
a participação das associações e cooperativas
na construção de parte significativa dessas 1 milhão
de casas, destacando o papel do movimento social na construção
de casas mais baratas e de melhor qualidade, mas também no trabalho
social e de mobilização realizado. Convidamos a Ministra
para visitar projetos autogestionários nas 5 regiões do
país e conhecer o trabalho dos quatro movimentos. A ministra
aceitou o convite e pediu que acertássemos a agenda posteriormente. Destacamos
a relação que estas medidas devem ter com o Planhab ,
no sentido de garantir uma política, não somente medidas
isoladas. A Ministra afirmou que iria incluir esta questão no
debate interno do governo. Reiteramos
a importância da aprovação da PEC da Moradia, para
a garantia de recursos estáveis para o setor. Defendemos
a priorização dos investimentos para a baixa renda, onde
o déficit é maior e mais difícil de ser enfrentado.
Solicitamos que se coloque claramente a distribuição dos
recursos e suas fontes. Foi colocado a discordância dos movimentos
na extensão do subsídio para as faixas de renda acima
de 5 salários mínimos, entendendo que essa faixa pode
conseguir acessar a financiamentos sem ele e que os valores individuais
de subsidio acabariam por "comer" os das faixas mais baixas. Novamente
colocamos a necessidade da disponibilização das terras
da União, RFFSA e INSS e das dificuldades e entraves burocráticos
para viabilizá-las. A Ministra cobrou agilidade das áreas
afins. Também
destacamos a fragilidade na implementação dos programas,
entraves burocráticos e morosidade do governo e que, sem alteração
nesse quadro, não será possível e efetivação
das propostas em discussão. Foi destacado que toda a responsabilidade
e risco ficam com os promotores e que, especialmente no caso das associações
e cooperativas, isto inviabiliza a participação de entidades
populares nos programas habitacionais. Também se questionou a
dificuldade na utilização de terrenos ainda não
escriturados ou com o parcelamento aprovado totalmente. A Caixa ficou
de agendar uma oficina em Brasília, ainda este mês, para
discutir a implementação do Programa de Produção
Social da Moradia.
Os parlamentares
presentes, Zezéu Ribeiro e Paulo Teixeira, reforçaram
a agenda apresentada pelos movimentos, especialmente nos temas da localização
dessas moradias no espaço urbano, na conexão com o Planhab
e no avanço da autogestão como uma estratégia para
fortalecer a economia solidária. A reunião
já fez parte do processo de construção de uma mesa
constante de negociações, coordenada pelo Ministro Luis
Dulci. A Ministra Dilma disse que irá analisar as propostas e
ponderações feitas na definição das medidas
a serem lançadas pelo governo. O Ministro Luis Dulci marcará
a continuidade dessa Mesa com os representantes das entidades. |
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