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Enviada
04/02/2010 O Fórum Social Mundial temático (Porto Alegre- Salvador cumpriu seu papel ao debater as dez edições do Fórum e fazer justa homenagem a África no ano que antecede a realização do Fórum Social Mundial centralizado a ser realizada em 2011 no Senegal, a participação da CONAM nos dois momentos foi muito positiva na medida em que a nossa oficina colocou o debate da reforma urbana na pauta do desenvolvimento econômico, esta visão elevou o nível do debate político ao colocar o movimento num patamar mais avançado na luta pelas mudanças no Brasil. A carta aprovada na Assembléia dos movimentos sociais em Salvador reafirma o pensamento que outro mundo é possível e já está em construção, todas-os podem confirmar este pensamento na carta que assim segue. Wanderlei
Gomes da Silva
O Fórum Social
Mundial surgiu em 2001 como uma forma de resistência dos povos
de todo o planeta contra a avalanche neoliberal dos anos 90. Dessa forma
ganhou força e se tornou um grande pólo contra hegemônico
ao capital financeiro. Ao longo desses 10 anos passou pelo Brasil, Venezuela,
Índia e Quênia, e outros países, levando a esperança
de um mundo novo. Foi dessa maneira
que o FSM conseguiu contagiar corações e mentes para a
ideia de que é sim possível construir outro mundo com
justiça social, democracia, sem destruir o planeta e valorizando
as culturas nacionais. O FSM foi fundamental para a construção
de uma nova conjuntura que valorize a integração e a solidariedade
entre os povos. E é assim que partiremos para novas lutas e para
construir o próximo Fórum Social Mundial em Dakar em janeiro
de 2011. Com o declínio
do neoliberalismo e a crise do capitalismo os valores representados
por esse sistema passam a ser questionados pela sociedade. Assim, o
capitalismo predatório que destrói o meio ambiente causando
graves desequilíbrios climáticos, que desrespeita os povos
de todo o mundo e suas soberanias, que explora o trabalhador e desestrutura
o mundo do trabalho, que exclui o jovem, discrimina o homossexual, oprime
a mulher, marginaliza o negro, mercantiliza a cultura é agora
visto com ressalvas. A crise financeira mundial é uma crise do sistema capitalista. Ela expôs as contradições intrínsecas a esse modelo e quebrou as certezas e a hegemonia do mercado como um deus regulador das relações comercias e sociais. Essa crise abriu a possibilidade de se rediscutir o ordenamento mundial, os rumos da sociedade, o papel do Estado e um novo modelo de desenvolvimento. Porém, sabemos
que esse momento pelo qual passamos é de profundas adversidades
para a classe trabalhadora de todo o mundo em função das
crises financeira e climática em curso. A conseqüência
das crises é o aumento da desigualdade e por esse motivo reafirmamos
o nosso desafio com as lutas e com a solidariedade de classe. Nosso continente,
a América Latina, atrai os olhos de todo o planeta diante de
sua onda transformadora. Por outro lado, a hegemonia mundial ainda é
capitalista e as elites não entregarão o continente que
sempre foi tido como o quintal do imperialismo de mão beijada.
Não é à toa a promoção do golpe contra
Chávez em 2002, em Honduras em 2009, a tentativa de golpe contra
Lula em 2005 ou mesmo a desestabilização de Fernando Lugo
que está em curso no Paraguai. Ao mesmo tempo,
as elites se utilizam e fortalecem novos instrumentos de dominação.
Sua principal arma hoje é a grande mídia e os monopólios
de comunicação. Esses organismos funcionam como verdadeiros
porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Por isso ganham força
os movimentos de cultura livre e as rádios e jornais comunitários
que conseguem driblar o monopólio midiático. O povo estadunidense
elegeu Barack Obama em um grande movimento de massas carregando consigo
as esperanças de superar a era Bush. Entretanto, mesmo com Obama
o imperialismo continua sendo imperialismo. Os EUA crescem seu olho
diante das grandes riquezas naturais do nosso continente, como a recente
descoberta do Pré-sal. No mesmo momento em que os EUA reativam
a quarta frota marítima também instalam mais bases militares
na Colômbia e no Panamá , além de insistir no retrógrado
bloqueio a Cuba. Atentos a esses
movimentos do imperialismo, os movimentos sociais reunidos no Fórum
Social Mundial Temático em Salvador reafirmam seu compromisso
com a luta por justiça social, democracia, soberania, pela integração
solidária da América Latina e de todos os povos do mundo,
pelo fortalecimento da integração dos povos, pela autodeterminação
dos povos e contra todas as formas de opressão. No Brasil, muitos avanços foram conquistados pelo povo durante os 7 anos do Governo Lula. O Estado foi fortalecido alcançando maior ritmo de desenvolvimento, a distribuição de renda e o progresso social avançaram com a valorização do salário mínimo e políticas sociais como a Bolsa Família, a integração solidária do continente foi estimulada. Porém, muito mais há para ser feito. As Reformas estruturais
capazes de enraizar as conquistas democráticas não foram
realizadas e a grave desigualdade social perpetrada por mais de 5 séculos
em nosso pais está longe de ser resolvida. Por isso, devemos
lutar pelo aprofundamento das conquistas nesse período de embate
político que se aproxima. Reafirmamos a luta
contra os monocultivos predatórios, os desmatamentos, o uso de
agrotóxicos que gera a poluição dos rios e do ar.
Seguiremos na luta contra o latifúndio e em defesa da biodiversidade
e dos recursos naturais como forma de preservação do meio
ambiente, dos ecossistemas, da fauna e flora integradas com o homem. Unimos-nos no combate
ao machismo, ao racismo e à homofobia. Lutamos por uma sociedade
justa e igualitária, livre de qualquer forma de opressão,
onde as mulheres tenham seus direitos respeitados e não sofram
abusos e violências, os negros não sofram preconceito e
saiam da condição histórica de pobreza que lhes
é reservada desde os tempos da escravidão, os homossexuais
tenham acesso a direitos civis e não sofram discriminação.
Sabemos que essas
conquistas virão da luta do povo organizado. Por isso, convocamos
todos os militantes a fazer um grande mutirão de debates envolvendo
estados, municípios e segmentos sociais no intuito de construir
um projeto de desenvolvimento soberano, democrático e com distribuição
de renda para o Brasil. Só assim seremos capazes de aprofundar
as mudanças que estamos construindo e derrotar a direita conservadora
e reacionária do nosso país nas eleições
que se avizinham. Esse grito que expressa
nosso anseio liberdade e mais direitos não poderia ser dado em
lugar melhor. Estamos na Bahia, terra de todos os santos e de bravos
lutadores, valorosos intelectuais e líricos poetas e artistas
como a banda tambores das raças que abriu a Assembléia
entoando versos que afirmam que: Zumbi não
morreu, está presente entre nós. Palmares referência
que sustenta nossa voz. Liberdade, igualdade, revolta dos búzios,
levante malês, herança ancestral que alimenta a união
é a força pra vencer! De Salvador conclamamos
o povo brasileiro a lutar por um Brasil livre, independente, democrático
e justo socialmente. Para isso, o conjunto dos movimentos sociais brasileiros convoca a Assembléia Nacional dos Movimentos Sociais para o dia 31 de maio em São Paulo e definem as seguintes bandeiras de luta: SOBERANIA NACIONAL DESENVOLVIMENTO DEMOCRACIA MAIS DIREITOS AO
POVO SOLIDARIEDADE CALENDÁRIO MARÇO - JORNADA
DE LUTAS EM DEFESA DA EDUCAÇÃO DA UNE E UBES ABRIL - Jornada
de mobilizações em defesa da Reforma agrária e
contra a criminalização dos movimentos sociais. 01 MAIO- DIA DO
TRABALHADOR 31 MAIO - ASSEMBLÉIA
NACIONAL DOS MOVIMENTOS SOCIAIS 1 DE JUNHO - CONFERENCIA
NACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA SETEMBRO-Plebiscito pelo limite máximo da propriedade Salvador, 31 de
Janeiro de 2010 |
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