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Enviada
10/03/2011 O
que é Comunidade? O
Jornalismo Comunitário está voltado para os interesses
de um grupo de pessoas que vivem em comunidade porque têm algo
em comum: o mesmo bairro, o mesmo trabalho, a mesma religião,
a mesma escola, o mesmo sindicato etc. Recorrendo
à classificação de Perelman para os auditórios
da Retórica, pode-se falar em Comunidade Particular ( fisicamente
estabelecida em limites geográficos ou ambientes ) e Comunidade
Universal ( unida pelos mesmos ideais, embora disseminada pelo mundo).
Classificamos de "comunidade católica" tanto os fiéis
que freqüentam a Igreja num bairro da cidade, como o conjunto
de milhares de pessoas que confessam a mesma religião no mundo
inteiro. É
importante, porém, definir melhor o que se entende por Comunidade. Os
termos latinos communio e communitas são equivalentes para
significar comunhão, participação, congregação.
Todo grupo que tem alguma coisa em comum forma uma Comunidade de Interesses,
seja a Comunidade das Nações congregadas na ONU, seja
a comunidade do bairro tal, na cidade tal; seja a comunidade de uma
determinada empresa, escola. Todos comungam interesses semelhantes,
isto é, "comuns a todos". Comunidade
é qualquer grupo social que habita determinada região,
tem o mesmo governo e está irmanado por uma mesma herança
cultural e histórica. É qualquer conjunto populacional
considerado a partir de aspectos geográficos, econômicos
ou culturais comuns: a comunidade latino-americana. Também
se dá o nome de Comunidade a um grupo de pessoas que exercem
atividades afins, com características específicas e
individualizantes: a comunidade médica, a comunidade dos comerciantes;
ou a um grupo de pessoas que praticam a mesma crença ou ideal:
a comunidade católica; ou a um grupo de pessoas que vivem submetidas
a uma mesma regra religiosa: as Irmãs do Imaculado Coração
de Maria. Do
ponto de vista social, comunidade é o agrupamento social que
se caracteriza por forte coesão baseada no consenso espontâneo
dos indivíduos, conforme definições do Aurélio. Na
Idade Média as Comunidades Religiosas eram conhecidas por comunas,
nome que também designava as cidades autônomas da Europa
feudal. O
termo comuna tem o sentido de "comunidade cooperativa",
geralmente igualitária, formada por motivos econômicos,
políticos ou ideológicos. No séc. XIX, com o
desenvolvimento do socialismo utópico, criaram-se algumas comunas
experimentais como a New Harmony e a Brook Farm, nos EUA, e a Colônia
Cecília, no Brasil (Paraná). Atualmente são formas
de comuna as unidades rurais chinesas ( fundadas em 1958) e o Kibutz,
de Israel. Para
o sociólogo alemão Ferdinand Tönnies (1887), "
comunidade é o grupamento humano onde predominam a economia
doméstica e a organização social fundada nas
relações de parentesco e no prestígio",
enquanto sociedade é o grupamento onde predominam as relações
secundárias, isto é, mediatizadas por contratos. As
igrejas cristãs chamam de "comunidades primitivas"
os grupamentos dos primeiros seguidores de Cristo, que, em Roma e
no Império Romano, enfrentavam perseguições e
martírios por causa da fé. Os apóstolos narram
que "eles tinham tudo em comum". O
regime tribal dos indígenas brasileiros e de grupamentos étnicos
semelhantes também recebem essa designação de
"comunidade primitiva", pela característica do processo
de produção coletivista e distribuição
de bens, o que caracteriza o "comunismo primitivo", pela
análise social de Marx e Engels. Viver
em Comunidade Sob
o aspecto biológico, também um conjunto de populações
vegetais e ou animais, em uma mesma área, formando um todo
integrado e uniforme, leva o nome de comunidade. Ao integrar-se em uma comunidade, o homem busca a aceitação do outro, a identificação do grupo, o fortalecimento da união. Isto
leva, de um modo geral, à solidariedade, ao apoio mútuo,
ao sentimento de grupo, de unidade. Ações coletivas
são desenvolvidas para reavivar esse sentimento de "boa
vizinhança" ( como nas festas dos moradores dos bairros
) ou de "coesão do grupo" ( como nos times esportivos,
nos grupos étnicos, profissionais etc.). Assim,
a comunidade de moradores de um determinado bairro une-se para ter
um representante na Câmara que defenda os interesses do lugar;
une-se para que o bairro seja asfaltado ou ganhe uma creche, uma linha
de ônibus, uma nova empresa, uma escola, um posto de saúde,
um posto de polícia. A
vivência do homem em comunidade, onde as experiências
individuais e coletivas são trocadas e absorvidas de forma
solidária e constante, é explicada, do ponto de vista
filosófico, pela Fenomenologia que - em contraposição
à filosofia tradicional e racionalista do séc. XVII
( Descartes, por exemplo ), onde se preconizava o estado de consciência
pura separada do mundo real, abstratamente - tem como preocupação
central a descrição da realidade, colocando como ponto
de partida de reflexão o próprio homem, no esforço
de encontrar o que realmente é dado na experiência, descrevendo
"o que se passa" efetivamente do ponto de vista daquele
que vive determinada situação concreta. Fornecendo
os conceitos básicos para a reflexão existencialista,
a Fenomenologia procura explicar a vida concreta do homem real e não
a vida etérea de seres imaginários. Nessa concretude
está a luta do homem, em comunidade, por dias melhores para
si, para sua família, para seu grupo. Essa
interação dos grupos sociais se dá através
da vivência comum constituída de sensações
( prazer, dor ), sentimento e atitudes (raiva,amor,cortesia) e símbolos
(gestos vocais ou outros, linguagem escrita ou falada, que seus agentes
trocam mutuamente). São, portanto, três os níveis
em que se processa a interação social da comunidade:
o nível dos Sentidos, o nível das Emoções
e o nível das Idéias. É
neste último que entra o processo de comunicação
destinado a reforçar o grau de interação do grupo
na medida que exterioriza suas manifestações em cada
um dos três níveis, valorizando essas formas de expressão. O Jornalismo Comunitário que se dirige a esse grupo social congregado em torno de interesses comuns terá que ser, portanto, um jornalismo real, eticamente estribado na verdade dos fatos, na pesquisa dos dados, na explicação dos fenômenos, na interpretação da realidade. Isto dará "proximidade", dará "identidade" ao grupamento social que se define como Comunidade, ao contrário do que ocorre em relação à chamada Grande Imprensa que está distante daquela comunidade e sequer a conhece, quanto mais aos seus problemas e às suas "pessoas". Por isto é importante chamar as pessoas pelo nome, quando se faz Jornalismo Comunitário. Por isto é necessário respeitar o modo das pessoas se expressarem porque esse modo - ainda que com palavras coloquiais e até erradas - é o traço de união que identifica, que aproxima a comunidade. Se o traço for cortado a comunicação sairá prejudicada e deixará de atingir seus objetivos. Luis Alves de
Souza |
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