Manifesto pelo resgate histórico e democratização da FAMOPES

No final dos anos 80 e início dos anos 90, os movimentos populares e comunitários em geral passavam por uma fase de expansão e aguerridas lutas em busca de conquistas reivindicadas pelos cidadãos e cidadãs Brasil afora.

No Espírito Santo a realidade não era diferente. A FAMOPES surgiu como conseqüência da intensa mobilização popular daquela época, notadamente na Região da Grande Vitória. A entidade era realmente representativa dos movimentos populares, dando encaminhamentos a uma pauta de lutas comuns das federações municipais.

Contudo, passados alguns anos, em decorrência de vários fatores que não cabe analisá-los, houve uma sensível diminuição de mobilização popular na maioria dos municípios brasileiros, embora algumas federações municipais, como a Federação das Associações de Moradores da Serra - FAMS -, que conseguiu imprimir novas formas de luta, como a conquista do Orçamento Participativo.

Enquanto isso, a FAMOPES não conseguia sair do marasmo organizacional. Pior. A entidade que deveria representar o conjunto das federações municipais não acompanhou ou não quis acompanhar as lutas empreendidas nos municípios, como também não se empenhou na evolução de novas formas de organização e encaminhamentos populares. Ao contrário, a própria eleição para a composição da diretoria da FAMOPES passou a ser realizada por um verdadeiro “colégio eleitoral”, onde a democracia participativa está muito longe do ideário popular.

As federações, lideranças e organizações populares municipais que assinam este manifesto propugnam por uma profunda revisão das ações da FAMOPES, insistindo e exigindo no encaminhamento de uma agenda estadual de lutas populares, embasadas nas iniciativas centradas na Confederação Nacional das Associações de Moradores – CONAM -, onde estejam contempladas as reivindicações emanadas desde as associações de moradores, movimentos comunitários e populares e que são absorvidas pelas federações, como: moradia digna, saneamento, orçamento participativo, participação na gestão do SUS, ampliação e otimização do transporte coletivo, entre outras lutas.

Além disso, há uma necessidade premente de se democratizar a FAMOPES, a partir de uma alteração na forma e no conteúdo da eleição da diretoria da entidade, ampliando o número de delegações e de delegados na escolha dos representantes estaduais dos movimentos populares do Espírito Santo.

Toda força aos Movimentos Populares e Comunitários Capixabas!
Democratização e participação já!
Federações se unem para resgatar a Famopes

Esta carta foi aprovada pelas seis federações municipais de moradores e 30 associações de moradores de Linhares durante encontro de Avaliação do Movimento popular do Espírito Santo, realizada em Linhares, no dia 19 e maio. A FAMS foi representada por Juvenal Carneiro de Souza, secretário popular de educação.

Segundo ele, o encontro foi concluído com a decisão de lançar uma chapa própria das federações presentes para disputar a diretoria da Famopes (Federação das Associações de Moradores e Movimentos populares do Espírito Santo), tendo como coordenadora geral Maria Geni Merighetti Cerutti, de 85 anos de idade, do Movimento Organizado de Saúde de Vila Velha (Mosavv).

Participaram do encontro as seguintes entidades:
FAMS (Serra), representada por Juvenal carneiro de Souza;
Mosavv (Movimento Organizado de Saúde de Vila Velha), representada por Maria Geni Merighetti Cerutti;
Fammopol (Fed. das Associações de Moradores e Movimentos Populares de Linhares), representada por Luciano G. Bastos; Conspar (Conselho Popular de Aracruz), representada por Eni de Fatima Lopes Ricati,
Famomsam (Fed. das Associações de Moradores do Município de São Mateus) representada por Carlos de Jesus Silva; e Unascol (União das Associações de Moradores e Movimentos Comunitários de Colatina), representada por Lídia Simonassi Borges.