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Enviada
05/12/2009
Liberdade
de Organização do povo brasileiro
A Confederação
Nacional das Associações de Moradores-CONAM se solidariza
a União Nacional dos Estudantes diante dos ataques sofridos pela
grande mídia golpista a uma das mais importantes entidades dos
movimentos sociais de todos os tempos, somamos esforços por entender
que a democracia corre risco quando a grande mídia escrita, televisada
e falada em nome da liberdade de expressão faz calunia e difamação,
maculando mais de setenta anos de história da UNE que sempre
lutou pelos direitos sociais do povo brasileiro, pela democracia e pela
soberania nacional, defender a UNE diante desses ataques é defender
a democracia e a liberdade de organização do povo brasileiro.
CONAM
Segue abaixo resposta
do Presidente da UNE.
Ataques do Estadão
à UNE: mais um capítulo da criminalização
dos movimentos sociais
Por Augusto Chagas, presidente da UNE
A principal manchete do jornal O Estado de São Paulo deste domingo
acusa: “UNE é suspeita de fraudar convênios”. Em toda a
página de abertura do caderno, o jornal julga: “a UNE fraudou
convênios, forjou orçamentos”. Categoriza-nos de “aliados
do governo” e afirma: “a organização estudantil toma dinheiro
público, mas não diz nem quanto gastou nem como gastou”.
A afirmação “UNE é suspeita” não veio de
nenhum órgão de polícia ou de controle de contas
públicas, é uma afirmação de autoria e responsabilidade
de O Estado de São Paulo. A principal acusação
é de um orçamento de uma empresa não localizada,
que aparece numa previsão orçamentária. De resto,
outro orçamento de uma empresa que funciona num pequeno sobrado
e especulação sobre convênios que ainda não
tiveram suas contas aprovadas.
O fato é que a UNE nunca contratou nenhuma das duas empresas,
apenas fez orçamentos, ao contrário do que a matéria,
de modo ladino, faz crer. Sobre os convênios, o jornal preferiu
ignorar as dezenas de convênios públicos executados pela
UNE nos últimos anos – todos absolutamente regulares. Ignora
também os pedidos de prorrogação de prazos feitos
aos convênios citados, procedimento usual e que não tem
nada de ilícito.
A diferença no peso dado a duas notícias na capa desta
mesma edição evidencia mais ainda suas opções.
Com muito menor destaque, denuncia os vídeos e gravações
de um escândalo de compra de parlamentares, operadas pelo próprio
governador do Distrito Federal. Apenas a penúltima página
do caderno trata do escândalo, imperceptível sob a propaganda
de um grande anunciante do jornal. Uma pequena fotografia mostra os
R$100 mil que foram anexados ao inquérito divulgado pela Polícia
Federal. A matéria, em tom jornalístico, não acusa.
Pelo contrário, diz que os vídeos, “de acordo com a investigação”,
revelam um suposto esquema de corrupção. Talvez o jornalista
não tenha assistido às gravações...
Há pelo menos 17 anos este jornal não oferecia à
União Nacional dos Estudantes uma manchete desta proporção.
A última acontecera no Fora Collor. A hipocrisia da sua linha
editorial precisa ser repudiada. Não apenas como esforço
de defender a UNE das calúnias, mas para desmascarar os seus
reais objetivos.
O principal deles é a desqualificação e criminalização
dos movimentos sociais. O MST enfrenta um destes momentos de ataque,
seja através da CPI recriada no Congresso pelos ruralistas, seja
através da sistemática campanha que procura taxá-lo
como “criminoso” para a opinião pública. As Centrais Sindicais
sofrem a coerção econômica do patronato, policialesca
do sistema judicial, e a injúria de parte da grande mídia.
A UNE, que acaba de construir o congresso mais representativo dos seus
72 anos de vida, foi tratada como governista, vendida, aparelhada e
desvirtuada de seus objetivos pela maioria das grandes rádios,
jornais e revistas.
A grande imprensa
oscila entre atacar os movimentos sociais ou ignorá-los - como
fez recentemente com a marcha de mais de 50 mil trabalhadores reunidos
em Brasília reivindicando a redução da jornada
de trabalho. Este jornal, por exemplo, não achou o fato importante
a ponto de noticiá-lo.
As organizações populares e democráticas devem
ter energia para reagir prontamente. É fundamental que o façam
de maneira unificada, fortalecendo-se diante dos interesses poderosos
que enfrentam. Que fique claro: o setor dominante tenta impedir as profundas
transformações que estas organizações reivindicam
e que são tão necessárias à emancipação
do povo brasileiro e à conquista da real democracia no país.
A manchete do Estadão
evidencia também a maneira como a grande mídia trata o
problema da corrupção no Brasil: como instrumento de luta
política por seus objetivos e com descarado cinismo. Seja pela
insistente campanha para desconstruir no imaginário popular a
crença na política e no Estado, ou pelas escolhas que
faz ao divulgar com destaque desproporcional irregularidades que envolvem
aliados ou adversários, criando ou abafando crises na opinião
pública.
Na verdade, pouco fazem para enfrentar os verdadeiros problemas da apropriação
privada daquilo que é público. A UNE, pelo contrário,
sempre levantou a bandeira da democracia. Alguns de nossos mais valorosos
dirigentes deram a vida lutando por ela. E afirmamos com veemência:
a UNE trata com absoluta responsabilidade os recursos públicos
que opera e os aplica para atividades de grande interesse da sociedade.
Às vésperas da primeira Conferência Nacional de
Comunicação, o movimento social deve intensificar a luta
pelos seus direitos. O enfrentamento à despótica posição
da mídia brasileira é um dos grandes desafios que o país
terá na construção da democracia que queremos.
O movimento social brasileiro vive um momento de grande unidade, que
pode ser visto pela sólida relação entre as Centrais
Sindicais e pelo fortalecimento da Coordenação dos Movimentos
Sociais. Não à toa, a UNE foi mais uma vez atacada. “Saibam
que estamos preparados para mais editoriais, artigos, comentários
e tendenciosas ‘notícias’”, afirmei em artigo publicado no dia
24 de julho, apenas cinco dias após a realização
do nosso 51º Congresso. Os meses que se passaram não tornaram
a afirmação anacrônica. Pois que todos saibam que
a UNE não transigirá um milímetro de suas convicções
e disposição de luta por um Brasil desenvolvido e justo.

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