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IV
Plenária da Coordenação dos Movimentos Sociais
avalia pontos para compor projeto
Durante todo o sábado (11), representantes de movimentos sindicais,
estudantis e populares participaram da IV Plenária Nacional
da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), no Sindicato
dos Químicos de São Paulo para traçar pontos
que devem compor um projeto de desenvolvimento nacional. A pauta é
um novo projeto para Brasil que atenda às reivindicações
dos movimentos sindicais e populares como um modelo nacional de trabalho,
distribuição de renda e inclusão social. Com
base nessa avaliação, os integrantes assumiram o compromisso
de estipular tarefas para serem incluídas em uma agenda nacional
e internacional.
A mesa de abertura intermediada, por Ticiana Studart (Marcha Mundial
de Mulheres), foi composta por Antonio Carlos Spis (secretário
nacional de comunicação da Cut), Ubiraci Dantas de Oliveira
da CGTB (Bira), Gustavo Petta (União Nacional dos Estudantes),
João Paulo (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), Wander
Geraldo da Silva (Confederação Nacional de Associações
de Moradores) e Nalu Faria (Marcha Mundial das Mulheres). Cada uma
das entidades apresentou sua posição sobre a atual conjuntura
política brasileira. Todos chegaram a um ponto comum: incorporar
um projeto de melhorias políticas com desenvolvimento e inclusão
social.
Os integrantes analisaram o papel da CMS frente à eleição
presidencial que se aproxima. As explanações chegaram
ao seguinte consenso: elaborar um novo documento retomando as principais
reivindicações da carta ao povo brasileiro entregue
em 2005, que pauta mudanças emergencias na política
econômica adotada pelo governo Lula.
Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), enfatizou que a CMS só terá
sentido quando agir em defesa dos direitos dos trabalhadores na distribuição
de renda e inclusão social. Para Antonio Carlos Spis, vários
pontos que contemplam a proposta de evolução dos direitos
trabalhistas estão fora da pauta governamental como a conversão
da dívida externa, recursos para educação. A
precarização e flexibilização dos direitos
trabalhistas e redução da jornada do trabalho (para
geração de empregos) democratização dos
meios de comunicação (acesso à informação
de qualidade), soberania nacional também sofrem descasos. “É
fundamental que o governo chame a sociedade para participar e se posicionar
sobre temas relevantes ao cenário democrático para que
possam apresentar seu olhar crítico. O papel dos movimentos
sociais é fiscalizar a política econômica”, afirmou.
Wander, da CONAM, salientou que o direito à moradia está
ligado ao projeto de inclusão social através de investimentos
para o desenvolvimento econômico como programas habitacionais.
“ A União poderia investir na criação de conselhos
e Fundos de investimentos que não tenham juros abusivos. “A
agenda da CMS, além de outros pontos citados, tem que contemplar
a luta dos movimentos populares no diz respeito às ocupações
e de uma política habitacional de qualidade para os trabalhadores,
afirmou.
Para a coordenadora da MMM, Nalu Faria, o debate faz parte da construção
da CMS como a carta ao Povo Brasileiro. "Como não poderia
deixar de ser nós, da MMM pensamos em algum projeto que rompa
com as desigualdades sociais brasileiras. Levantar a questão
da dívida externa é primordial, assim como retomar o
tema da auditoria”, salientou. Outro ponto crucial, segundo Nalu,
é integração com a nova conjuntura da América
Latina que questiona a posição imperialista com o aprofundamento
da disputa do projeto que queremos.
De acordo com o presidente da UNE, Gustavo Petta, ainda existe a possibilidade
dos movimentos sociais disputarem um projeto de governo Lula, sem
apoiar a candidatura. “Precisamos de um projeto neutro, que contemple
as necessidades do país e dos brasileiros. Para retornar o
papel da CMS, é importante buscar o trabalho de base. Nosso
papel é influenciar o processo eleitoral, mas sem subestimar,
em nenhum momento, o atual o governo. Não queremos a volta
da direita e seu neoliberalismo. É importante termos claro
esse risco”, alertou.
João Paulo, do MST, também sugeriu mudanças políticas
que estejam atreladas à questão da reforma agrária.
“Se ficarmos presos à política de Lula podemos correr
o risco de destruirmos o calendário eleitoral”, sublinhou.
Após todas manifestações da mesa o jornalista
e diretor do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Lula pela
Paz (Cebrapaz), José Reinaldo, analisou as preocupações
expostas na Plenária. Para ele, ficou clara a necessidade de
mudanças positivas. “É importante retomar a correlação
de forças para dar fim ao neoliberalismo e darmos fôlego
ao crescimento da resistência democrática na América
Latina. A tarefa dos movimentos sindicais é evitar o retrocesso,
a volta do velha direita, dos tucanos que sempre reprimiram os movimentos
populares. A luta deve ser na linha do positivismo como: novo modelo
de desenvolvimento aliado a novas estratégias de como queremos
o Brasil no que se refere ao regime social, político (voltado
aos interesses internacionais), além de um novo regime para
o povo, que o tire abaixo da linha de pobreza. E, acima de tudo a
Luta Contra O Neoberalismo”, concluiu.
Segundo o jornalista, o documento a ser elaborado pela CMS deveria
seguir os seguintes pontos: reforçar a soberania nacional,
repúdio a Alca, integração entre os povos da
América Latina, solidariedade em vias de desenvolvimento, redução
dos juros e do déficit fiscal, renegociação da
dívida e estipular metas de crescimento precisam estar na linha
do debate.
Na próxima reunião, com data ainda a ser definida, será
construído o novo documento para ser apresentado no Fórum
Social Brasileiro, em Recife, de 20 a 24 de abril. A expectativa é
de que o Fórum retome os debates do FSM. O documento final
da CMS deverá exigir posições e sugerir alternativas
para nortear o plano do governo Lula com ênfase nas questões
sociais.
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