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Entidade
Estadual de Associação de Moradores é fundada na
Bahia
Enviada
14/01/2008
Fundada
em Congresso Estadual realizado nos dia 15 e 16/12 de 2007, em Salvador,
a Federação Estadual das Associações de
Moradores (Fameb) já é um importante marco na história
dos movimentos sociais organizados na Bahia. A sua criação
atende a uma antiga reivindicação das lideranças
comunitárias do interior e amplia o poder de atuação
de entidades de mais de 45 municípios de todas as regiões
do estado. Nessa entrevista o presidente eleito da Fameb, Ramiro Cora,
fala com o jornalista Rodrigo Rangel Júnior, sobre as perspectivas
para o futuro da entidade, a relação dos movimentos sociais
com o governo Jacques Wagner e o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano
de Salvador (PDDU), entre outras coisas
Ramiro
Cora - Presidente eleito da Fameb
Rodrigo
Rangel Júnior - De que maneira a criação da Federação
altera o poder de ação de líderes comunitárias
do estado?
Ramiro Cora -Isto é, na realidade, uma conseqüência
da criação de um instrumento que conseguiu forjar unidade
na diversidade geográfica e política que existe nas entidades
comunitárias do estado da Bahia. Até porque, a Fameb não
é, nem será, um simples agrupamento de líderes.
A Fameb reúne todas as lideranças organizadas em entidades
comunitárias constituídas de forma democrática.
A conseqüência é que líderes crescem e aparecem
pela força da unidade organizada. Saem da reivindicação
isolada para reforçar um conjunto de solicitações
semelhantes encaminhadas pela Fameb.
Qual a função da Federação nos âmbitos
estadual e nacional?
RC-A importância da existência desta Federação
é que ela constitui um instrumento cuja função
principal é organizar e articular as diversas lutas comunitárias
que acontecem isolada e separadamente, possibilitando assim, a construção
de uma perspectiva unificada que exija a implementação
das respectivas políticas públicas. Não existia,
até hoje, uma entidade que pudesse falar com o Estado em nome
do conjunto das entidades comunitárias da Bahia. E, numa outra
dimensão, passa a conectar a luta singular de uma determinada
localidade com as lutas mais gerais desenvolvidas a nível estadual
ou federal, inclusive através da participação nas
atividades da Conam ( Confederação Nacional das Associações
de Moradores), que é a entidade que norteia a luta comunitária
em todo o país.
Porque a Federação Estadual das Associações
de Moradores demorou de ser criada?
RC-O processo de escolha de delegados e delegadas, a partir da realização
de plenárias municipais foi um caminho longo e demorado, seja
pela complexidade de estimular e organizar politicamente às Assembléias
Municipais, seja pelas dificuldades financeiras encontradas neste processo.
No entanto, o Movimento Comunitário da Bahia está de parabéns,
pois o resultado é um produto final muito mais sólido
e, principalmente, uma experiência democrática inédita
no país. É a primeira vez que se utiliza o método
de escolher delegados e delegadas, em Plenárias Municipais, para
fundar uma Federação Estadual de Entidades Comunitárias.
Em sua opinião, o que mudou na relação entre
os movimentos comunitários e o governo do estado desde a posse
de Wagner?
RC-Na Bahia, temos um governo que, revertendo uma prática antiga,
implementa rapidamente mecanismos que permitem a participação
social em assuntos que envolvem diretrizes de governo, como, por exemplo,
o Plano Plurianual. Ou que permitem a instalação de instrumentos
de participação e controle social, com poderes deliberativos,
como o Conselho Estadual das Cidades - ConCidades, que trata das políticas
de saneamento ambiental, habitação, transporte e desenvolvimento
urbano. Estas constatações, estimulam a confiança
na possibilidade de um diálogo construtivo com o governo estadual,
para tratar e encontrar saídas para os graves problemas que afetam
às comunidades. Para dar respostas a esta demanda nasce a Fameb
sob o emblema da diversidade política e social, buscando representar
os legítimos interesses dos moradores da Bahia.
Como
você vê o projeto do PDDU de Salvador, em votação
na Câmara Municipal?
RC-Faço minhas as palavras do nosso diretor de Habitação
da Fabs (Federação das Associações de Bairro
de Salvador) e diretor Executivo da Fameb, João Pereira, quando
ele diz que o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano(PDDU) é
muito genérico e impreciso para as questões sociais e
ambientais, mas absolutamente detalhista no atendimento aos interesses
do capital imobiliário. Ele também afirma que o plano
prevê uma ocupação predatória da orla atlântica
e da Avenida Paralela comprometendo o conforto ambiental e a mobilidade
urbana. Por isso, este filme tenta mais uma vez se repetir na história
da capital baiana. Parece uma simples continuidade da administração
anterior, ainda com alguns agravantes. E, como sempre, ficará
claro quais os vereadores que estão alinhados com os interesses
das empresas imobiliárias e quais com o povo.
Quais são as principais diferenças entre os processos
que envolvem o PDDU de Salvador e das outras cidades do estado?
RC-A principal diferença, é a multiplicação
da complexidade em que os vetores urbanos se apresentam numa capital
com quase 3 milhões de habitantes. Então, o método
de consulta deveria ser muito mais paciente e demorado, com um trabalho
adicional no sentido de construir caminhos para que a população
consiga entender o suficiente e assim ter a condição,
num passo posterior, de elaborar alguma resposta, alguma atitude propositiva.
Do jeito que o PDDU foi apresentado nas audiências públicas,
organizada pelo poder executivo de Salvador, esta possibilidade não
existiu. E nós, da Fabs e da Conam, afirmamos este argumento
desde a primeira audiência que participamos. Do jeito que foi
feita a consulta, foi "um faz de conta" de participação
popular.
De que maneira partidos políticos, podem contribuir para a
atuação da Federação?
RC-Na constituição das direções das entidades
deve prevalecer o conceito da pluralidade partidária e do respeito
pelas diferenças políticas. Este critério preserva
à entidade de possíveis atrelamentos partidários,
além de garantir a unidade e a capacidade de ter uma ampla representatividade
das forças que operam no seio da comunidade. Temos enorme responsabilidade
no cuidado deste caminho, desta forma de conduzir as articulações
políticas necessárias para o crescimento e fortalecimento
das entidades comunitárias. Assim acontece na Fabs e na Conam.
Assim acontecerá na Fameb.
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