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Enviada
01/12/2008
Entidades
apresentam propostas ao governo federal em Brasília
Mais
de 50 entidades dos movimentos sociais, centrais sindicais, organizações
de estudantes, entidades da reforma reforma Urbana,e osutra da sociedade
civil assinam documento com propostas para o governo federal diante
da crise econômica mundial, que foi apresentado em reunião
com ministros de Estado, na tarde de quarta-feira (26/11), no Palácio
do Planalto, em Brasília.
Participam da reunião a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff; o ministro da Fazenda, Guido Mantega e o ministro da Secretaria
Geral da Presidência, Luiz Dulci. O presidente Lula, que estaria
presente, mudou a agenda e visita áreas alagadas de Santa Catarina.
"O conjunto dessas propostas se insere no espírito geral
de que devemos aproveitar a brecha da crise para mudar a política
macroeconômica de natureza neoliberal e construir um novo modelo
de desenvolvimento nacional, baseado em outros parâmetros, sobretudo
na distribuição de renda, na geração de
emprego e no fortalecimento do mercado interno", afirmam as entidades
no documento.
"Nossa preocupação fundamental é aproveitar
para que, nessa mudança, se logrem medidas concretas que visem
melhorar as condições de vida de nosso povo, garantindo
os direitos à educação pública, gratuita,
democrática e de qualidade em todos níveis, à
moradia digna, ao acesso à cultura e às reformas urbana
e agrária. Infelizmente, a maioria do nosso povo não
tem acesso a esses direitos básicos".
Abaixo, leia a carta dos movimentos sociais, que foi apresentada ao
governo na reunião.
CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS APRESENTADA EM REUNIÃO COM GOVERNO
FEDERAL
Cumprimentamos o governo federal pela iniciativa de ouvir os movimentos
sociais e sindicais, populares, pastorais sociais e entidades que
atuamos organizando nosso povo, diante do grave quadro de crise que
já se faz sentir, e que - tudo leva a crer - se aprofundará
sobre nossa economia, nossa sociedade e em especial sobre o povo brasileiro.
Queremos aproveitar essa oportunidade para manifestar nossas propostas
concretas, que o governo federal deve tomar para preservar, sobretudo,
os interesses do povo, e não apenas das empresas e do lucro
do capital.
O conjunto dessas propostas se insere no espírito geral de
que devemos aproveitar a brecha da crise para mudar a política
macroeconômica de natureza neoliberal e construir um novo modelo
de desenvolvimento nacional, baseado em outros parâmetros, sobretudo
na distribuição de renda, na geração de
emprego e no fortalecimento do mercado interno.
Nossa preocupação fundamental é aproveitar para
que, nessa mudança, se logrem medidas concretas que visem melhorar
as condições de vida de nosso povo, garantindo os direitos
à educação pública, gratuita, democrática
e de qualidade em todos níveis, à moradia digna, ao
acesso à cultura e às reformas urbana e agrária.
Infelizmente, a maioria do nosso povo não tem acesso a esses
direitos básicos. Sabemos que poderosos interesses dos capitalistas
locais, das empresas transnacionais e, sobretudo, do sistema financeiro,
que concentra cada vez mais riqueza e renda, impedindo que nosso povo
usufrua da riqueza por ele produzida.
Já estamos cansados de tanta dominação capitalista.
E agora assistimos às crises financeiras e à ofensiva
dos interesses do Império que controla as riquezas naturais,
minerais, a água, as sementes, o petróleo, a energia
e o resultado de nosso trabalho. Diante disso, queremos apresentar
algumas propostas concretas para que possamos resolver, de fato, os
problemas do povo e impedir que de novo as grandes empresas transnacionais
e os bancos transfiram para o povo o custo da crise:
Propostas de articulações internacionais:
1. Defendemos como resposta à crise o fortalecimento da estratégia
de integração regional, que se materializa a partir
dos mecanismos como: MERCOSUL, UNASUL e ALBA.
2. Apoiamos medidas
como a substituição do dólar nas transações
comerciais por moedas locais, como recentemente fizeram Brasil e Argentina,
e sugerimos que esta medida deva ser adotada pelo conjunto dos paises
da América Latina.
3. Defendemos a consolidação o mais rápido possível
do BANCO DO SUL, como um agente que promova o desenvolvimento regional
e que auxilie o crescimento do mercado interno entre os paises da América
Latina e como um mecanismo de controle de nossas reservas, para impedir
a especulação dos bancos, do FMI e dos interesses do capital
dos Estados Unidos.
4. Nós afirmamos
que a atual crise econômica e financeira é de responsabilidade
dos países centrais e dos organismos dirigidos por eles, como
a OMC, o Banco Mundial e o FMI. Defendemos uma nova ordem internacional,
que respeite a soberania dos povos e nações.
5. Pedimos vosso empenho e compromisso pela retirada imediata de todas
as forças estrangeiras do Haiti. Nenhum país da América
Latina deve ter bases e presença militar estrangeira. Propomos,
em seu lugar, a constituição de um fundo internacional
solidário para reconstrução econômica e social
daquele país. Apresentamos também nossa oposição
à reativação da 4ª Frota da Marinha de Guerra
dos Estados Unidos em águas da América Latina.
Propostas de políticas internas
1. Controlar e reduzir imediatamente as taxas de juros.
2. Impor um rigoroso controle da movimentação do capital
financeiro especulativo, instituindo quarentenas e impedindo o livre
circular, penalizando com elevados impostos suas ganâncias.
3. Defendemos que todos os governos devem utilizar as riquezas naturais,
da energia, do petróleo, dos minérios, para criar fundos
solidários para investir na solução definitiva
dos problemas do povo, como direito ao emprego, educação,
terra e moradia. Para isso, o governo brasileiro precisa cancelar imediatamente
o novo leilão do petróleo, marcado para dia 18 de dezembro.
4. O governo federal deve revisar a política de manutenção
do superávit primário, que é uma velha e desgastada
orientação do FMI - um dos responsáveis pela crise
econômica internacional. Devemos usar os recursos do superávit
primário para fazer volumosos investimentos governamentais, na
construção de transporte publico e de moradias populares
para a baixa renda, dando assim uma grande valorização
à reforma urbana e agrária, incentivando a produção
de alimentos pela agricultura familiar e camponesa. É preciso
investimentos maciços na construção de escolas,
contratação de professores para universalizar o acesso
à educação de nossos jovens, em todos os níveis,
em escolas públicas, gratuitas e de qualidade.
5. Defendemos que o governo estabeleça metas para a abertura
de novos postos de empregos, a partir de um amplo programa de incentivo
à geração de empregos formais, em especial entre
os jovens. Reajustar imediatamente o salário mínimo e
os benefícios da previdência social, como principal forma
de distribuição de renda entre os mais pobres.
6. Controlar os preços dos produtos agrícolas pagos aos
pequenos agricultores, implantando um massivo programa de garantia de
compra de alimentos, através da CONAB. Hoje as empresas transnacionais
que controlam o comércio agrícola estão penalizando
os agricultores, reduzindo em 30%, em média os preços
pagos do leite, do milho, dos suínos e das aves. No entanto,
no supermercado, o preço continua subindo.
7. Revogar a Lei Kandir e voltar a ter imposto sobre as exportações
de matérias primas agrícolas e minerais, para que a população
não seja mais penalizada, para estimular sua exportação.
8. O governo federal não pode usar dinheiro público para
subsidiar e ajudar a salvar os bancos e empresas especuladoras, que
sempre ganharam muito dinheiro e agora, na crise, querem transferir
seu ônus para toda a sociedade. Quem sempre defendeu o mercado
como seu "Deus-regulador" agora que assuma as conseqüências.
Nesse sentido, os bancos públicos (BNDES, Caixa Econômica
Federal e Banco do Brasil) deveriam estar orientados não para
socorrer o grande capital e sim para o benefício de todos os
povos.
9. Reduzir a jornada de trabalho, em todo o país e em todos os
setores, sem redução de salário, como uma das formas
de aumentar as vagas. E penalizar duramente as empresas que estão
demitindo.
10. A mídia permanece concentrada nas mãos de poucos grupos
econômicos. Este quadro reforça a difusão de um
pensamento único que privilegia o lucro em detrimento das pessoas
e exclui a visão dos segmentos sociais e de suas organizações
do debate publico. Para reverter esta situação e colocar
a mídia a serviço da sociedade, é preciso ampliar
o controle da população sobre as concessões de
rádio e TV, fortalecer a comunicação pública
e garantir condições para o funcionamento das rádios
comunitárias, acabando com a repressão sobre elas. Por
tudo isso, é urgente que o governo federal convoque a Conferencia
Nacional de Comunicação.
11. Para garantir os territórios e a integridade física
e cultural dos povos indígenas e quilombolas como determina a
Constituição, o Governo Federal deve continuar demarcando
as terras e efetivando a desintrusão desses territórios
em todo o país, sem ceder às crescentes pressões
dos setores antiindígenas tanto políticos, como econômicos.
Na luta por seus direitos territoriais, os povos indígenas e
quilombolas têm enfrentado a violência e a discriminação
cada vez mais forte em todo o país. Chamamos especial atenção,
nesse momento, para a urgência de se demarcar as terras tradicionais
do povo indígena Guarani Kaiowá que vive no Mato Grosso
do Sul. Atualmente, eles estão confinados em ínfímas
porções de terra e, principalmente por causa disso, há
um alto índice de suicídios entre o povo.
12. Realizar a auditoria integral da dívida pública para
lançar as bases técnicas e jurídicas para a renegociação
soberana do seu montante e do seu pagamento, considerando as dívidas
histórica, social e ambiental das quais o povo trabalhador é
credor.
13. Defendemos uma reforma política que amplie os espaços
de participação do povo nas decisões políticas.
Uma reforma não apenas eleitoral, mas que amplie os instrumentos
de democracia direta e participativa.
14. Em tempos de crise, há uma investida predatória sobre
os recursos naturais como forma de acumulação fácil
e rápida, por isso não podemos aceitar as propostas irresponsáveis
de mudanças na legislação ambiental por parte dos
representantes do agronegócio, que pretende reduzir as áreas
de reservas legais na Amazônia e as áreas de encosta, topo
de morros e várzeas no que resta da Mata Atlântica. Propomos
a criação de uma política de preservação
e recuperação dos biomas brasileiros.
15. Contra a criminalização da pobreza e dos movimentos
sociais. Pelo fim da violência e pelo livre direito de manifestação
dos que lutam em defesa dos direitos econômicos, sociais e culturais
dos povos.
Atenciosamente,
Via Campesina
Assembléia Popular AP
Coordenação dos Movimentos Sociais CMS
Grito dos Excluídos Continental
Grito dos Excluídos Brasil
Associação Nacional de Ongs ABONG
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra MST
Central Única dos Trabalhadores CUT
União Nacional dos Estudantes UNE
Marcha Mundial de Mulheres MMM
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil CTB
Central Geral dos Trabalhadores do Brasil CGTB
Central de Movimentos Populares CMP
Associação Brasileira de Imprensa ABI
Confederação das Associações das Associações
de Moradores CONAM
Caritas Brasileira
CNBB/Pastorais Sociais
Comissão Pastoral da Terra CPT
Conselho Indigenista Missionário CIMI
Movimento dos Pequenos Agricultores MPA
Movimento dos Atingidos por Barragens MAB
Movimento das Mulheres Camponesas MMC
União Brasileira de Mulheres UBM
Coordenação Nacional de Entidades Negras CONEN
Movimento dos Trabalhadores Desempregados MTD
Movimento Trabalhadores Sem Teto MTST
União Nacional Moradia Popular UNMP
Confederação Nacional das Associações de
Moradores CONAM
Movimento Nacional de Luta por Moradia MNLM
Ação Cidadania
Conselho Brasileiro de Solidariedade com Povos que Lutam pela Paz
CEBRAPAZ
Associação Brasileira de Rádios Comunitárias
ABRAÇO
Coletivo Brasil de Comunicação INTERVOZES
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
Jubileu Sul Brasil
Movimento pela Libertação dos Sem Terras MLST
União Estudantes Secundaristas UBES
União Juventude Socialista UJS
Evangélicos pela Justiça EPJ
União nacional de Entidades Negras UNEGRO
Federação Estudantes de Agronomia do Brasil FEAB
Pastoral da Juventude do Meio Rural PJR
Associação dos Estudantes de Engenharia Florestal ABEEF
Movimento dos Trabalhadores Desempregados MTD
Confederação Nacional Trabalhadores Entidades de Ensino
CONTEE
Confederação Nacional Trabalhadores da Educação
CNTE
Confederação Nacional do Ramo Químico CNQ/CUT
Federação Única dos Petroleiros FUP
Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas SINTAP/CUT
Associação Nacional de Pós-graduandos ANPG
Confederação Nacional dos Metalúrgicos CNM/CUT
Movimento Camponês Popular MCP
Coordenação das Organizações Indígenas
da Amazônia Brasileira COIAB
Conselho Indigenista de Roraima CIR
Federação Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande
do Sul
Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade
Instituto Nacional Estudos Sócio-econômicos - INESC
Wanderley Gomes
da Silva
CONAM

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