Enviada 07/11/2011

Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
no contexto da Política de Desenvolvimento Urbano

Nos dias 10, 11 e 12 de agosto de 2011 foi realizado o Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional no contexto da Política de Desenvolvimento Urbano, resultado de uma articulação entre o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional, o Fórum Nacional de Reforma Urbana, o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e o Conselho das Cidades, com apoio do Ministério de Desenvolvimento Social e do Ministério das Cidades. O Encontro se constituiu como uma etapa importante, preparatória para a 4a Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional, envolvendo 146 pessoas, de 13 estados do país, sendo 74 representantes da sociedade civil e 72 pessoas representando órgãos governamentais.
Considerando-se a intensificação do processo de urbanização das últimas décadas, diferentes ministérios e redes da sociedade civil vêm aprofundando estudos com vistas a compreender e tratar os desafios colocados para o futuro das cidades.

O modelo de crescimento econômico acelerado significou investimento e apoio quase exclusivo para a agropecuária em larga escala, em um processo poupador de mão-de-obra. Este fato determinou a expulsão e migração de grandes contingentes populacionais, que sem acesso a terra para produzir, deslocou-se para as cidades superlotando-as, e pior, experimentando nos grandes centros urbanos desemprego, baixos salários e informalidade das condições de trabalho, pobreza, fome e a exclusão do direito à propriedade da terra, moradia e saneamento básico.

Os reflexos do processo de desenvolvimento desordenado resultaram no inchamento das cidades, provocando grandes aglomerações urbanas, que na ausência de planejamento significaram: a expansão das cidades sobre as áreas de produção, a segregação sócio-territorial, a degradação ambiental, a distribuição desigual da infraestrutura (em particular, o saneamento) e dos investimentos, o aumento da produção e o inadequado tratamento dos resíduos sólidos, e os impactos das mudanças climáticas decorrentes do crescimento da urbanização, comprometendo o alcance de um desenvolvimento sustentável e equitativo.

Dessa forma, a ocupação dos espaços urbanos tem causado o adensamento e a segregação da população mais vulnerável, como as populações negras, em áreas de alta densidade, determinando a ocorrência de inúmeros problemas relacionados à saúde pública, ao meio ambiente e à disponibilidade de trabalho e renda, a exemplo da poluição do ar, do solo, da água e ao aumento da violência urbana. Essa população não tem acesso à moradia digna e a políticas públicas que garantam o direito à cidade.

Os dados do Programa Brasil sem Miséria mostram que a pobreza extrema é um fenômeno rural e urbano e atinge atualmente cerca de 16 milhões de pessoas, das quais 53% estão na área urbana. Ressalta-se o fato de que 71% dos extremamente pobres são negros.

Dados recentes da Pesquisa de Orçamento Familiar - POF, do IBGE, mostram que famílias com renda até R$ 830,00 despendem 84% dos seus rendimentos com a preservação de seus direitos básicos, sendo que somente para se alimentação gastam 37,2% da renda.

A pesquisa sobre a situação da insegurança alimentar no Brasil, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em 2009, baseada na Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), apontou que do total dos domicílios urbanos, 29,4% estão em situação de insegurança alimentar.

Simultaneamente, do ponto de vista do padrão alimentar, a massificação do consumo determinou mudanças significativas no processo produtivo para atender as necessidades do sistema urbano industrial, por alimentos diversificados, baratos e de fácil preparo com fortes repercussões nos hábitos alimentares.

O modo de vida baseado no consumo excessivo de produtos industrializados, dos alimentos contaminados pelos agrotóxicos e transgênicos e na homogeneização da cultura alimentar afeta a qualidade de vida das populações das cidades. As características nutricionais do perfil alimentar da sociedade brasileira refletem esses problemas, conforme identificados na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), de 2010. Apesar da redução dos percentuais de desnutrição observada nos últimos anos, ela persiste em muitas regiões, coexistindo com altas taxas de sobrepeso e obesidade que também revelam situações de má nutrição. Nesse cenário há doenças causadas pelo consumo de alimentos e água contaminados, ao mesmo tempo em que aumenta drasticamente a incidência das doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, hipertensão, câncer, entre outras).

Apenas 20,9% da população tem um consumo regular de frutas, legumes e verduras, em todas as classes sociais, sendo que o consumo mínimo diário recomendado pela OMS é de cinco porções diárias. Cabe lembrar a dificuldade de acesso, por parte da população de baixa renda, seja por limitações de renda, como pela falta de disponibilidade de oferta em muitas áreas, principalmente aquelas que residem em periferias de Regiões Metropolitanas.

A garantia da segurança alimentar se relaciona diretamente a uma nova concepção do desenvolvimento urbano. No entanto, a Política de Desenvolvimento Urbano não tem considerado a diversidade de formas, uso e ocupação do espaço que permitam acessibilidade à produção, abastecimento e consumo de alimentos por parte da população em geral, sobretudo, aquela em situação de vulnerabilidade.

Com o objetivo geral de aprofundar o debate da Política de SAN no sentido da garantia do DHAA no meio urbano, considerando as dimensões produção de alimentos, o abastecimento e o acesso ao alimento, o acesso à água, à educação, à cultura, à saúde, a gestão urbana e ambiental, o encontro se propôs a aprofundar as conexões entre a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU) e a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN), a partir dos seguintes objetivos:

-Ampliar o debate de SAN no contexto Urbano e elaborar uma agenda de temas a serem aprofundados;

- Discutir os Programas de SAN implementados no meio Urbano;

- Propor Diretrizes para implementação de Políticas de SAN no meio urbano;

- Mobilizar movimentos populares, organizações e fóruns urbanos;

-Construir consensos, conclusões e recomendações para a IV CNSAN

A garantia da Segurança Alimentar e Nutricional - SAN requer a soma de esforços políticos para constituir a "Cidade que queremos", com acesso à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte, à saúde, à educação, à cultura, ao trabalho, ao lazer e à alimentação adequada e saudável, com atenção à igualdade étnico-racial e de gênero. Portanto, é fundamental inserir a perspectiva da realização do Direito Humano à Alimentação Adequada na gestão democrática do espaço urbano.

Neste sentido, os governos devem se comprometer com uma política urbana articulada com estratégias de inclusão social, segurança alimentar e nutricional, justiça ambiental e acesso à terra e a moradia, levando em conta as características específicas das cidades e suas dimensões culturais próprias.

Existem instrumentos dentro da Política Ambiental Urbana, a exemplo do Estatuto das Cidades que possibilitam o acesso à terra urbana e o cumprimento de sua função social. No entanto, no cumprimento desta função social, não se tem considerado as questão relativas à promoção da Segurança Alimentar e Nutricional.
Vale ressaltar que para o desenvolvimento da política de SAN nas cidades, ações como abastecimento e agricultura urbana devem estar articuladas às políticas de habitação, planejamento e ordenamento territorial, com previsão nas leis orçamentárias.

As estruturas de abastecimento são parte dos elementos que determinam as condições em que a população acessa os alimentos, não obstante, são os agentes econômicos privados que detêm o controle destas estruturas. No mercado de alimentos a oligopolização da rede varejista de supermercados (as cinco maiores redes detêm cerca de 46% do mercado) têm efeitos na determinação dos preços da produção da pequena agricultura e na sustentação de margens de lucros elevadas na venda aos consumidores.

Caberia aos governos promover ações de regulação ligadas à distribuição dos alimentos e regulação de preços, comprometendo-se com o apoio às ações institucionais de abastecimento.
Também é necessário que, nas áreas urbanas, sejam disponibilizados espaços que possam atender a população de menor renda

- considerando-se a sua baixa mobilidade. Estes espaços devem estar garantidos nas peças legais e institucionais de planejamento, como, por exemplo, os planos diretores.

Cabe destaque para a relevância conferida pelo Encontro para a prática da Agricultura Urbana enquanto potencializadora do combate à pobreza, à insegurança alimentar, à degradação ambiental e à exclusão socioespacial, propiciando a diversificação e incremento da alimentação das famílias pelo autoconsumo, a geração de renda, o acesso mais democrático à cidade, em cumprimento à função social da terra urbana.

Além disso, durante o Encontro, identificou-se como fundamental o estímulo às articulações intersetoriais e parcerias entre as instâncias de controle social e decisão participativa ligadas aos conselhos temáticos e às Políticas Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, de Desenvolvimento Urbano e de Meio Ambiente.

Como resultado desse Encontro, este documento apresenta as propostas abaixo relacionadas, que em muito contribuem para as perspectivas da garantia de realização do Direito Humano à Alimentação Adequada, foco da IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, a ser realizada em novembro de 2011.


1. Produção de alimentos
Propostas relacionadas à Agricultura Urbana

1. Ampliar o reconhecimento da agricultura urbana e periurbana (AUP) no contexto da Segurança Alimentar e Nutricional;

2. Criar marco legal para a agricultura urbana e periurbana e fortalecer a construção das políticas públicas de agricultura urbana, nas diferentes esferas da Federação;

3. Utilizar Declaração Coletiva de Conformidade como instrumento para agricultores(as) familiares urbanos acessarem o financiamento público;

4. Empoderar os agricultores urbanos reconhecendo e estimulando suas organizações;

5. Difundir a agricultura urbana em bases agroecológicas;

6. Criar mecanismos específicos de crédito para a Agricultura Urbana e Periurbana;

7. Incentivar pesquisas relacionadas à agricultura urbana e periurbana.

8. Apoiar a produção de alimentos da cultura tradicional e a produção de cultivares provenientes de hábitos tradicionais, promovendo os saberes locais;

9. Investir no cultivo de plantas medicinais, condimentares e aromáticas;

10. Promover o resgate de sementes tradicionais, por meio do apoio à organização das bancos de sementes, entre outras iniciativas;

11. Fomentar projetos da agricultura urbana e periurbana e de agroindústrias familiares;

12. Realizar o mapeamento da Agricultura Urbana e Periurbana, identificando o perfil do agricultor urbano e a cadeia produtiva;

13. Ampliar os Centros de Apoio à Agricultura Urbana e Periurbana (CAAUPs);

14. Fortalecer a intersetorialidade entre as políticas de saúde, educação, entre outras, associadas à agricultura urbana;

15. Incentivar a criação e manutenção de fóruns e/ou grupos para a discussão e acompanhamento da efetivação da política de agricultura urbana.

16. Estimular os estados e municípios a fomentar iniciativas de construção e manutenção da Agricultura Urbana e Periurbana e produção de alimentos nos espaços vazios das cidades;

17. Incentivar a criação de equipamentos públicos de comercialização de produtos da Agricultura Urbana e Periurbana, tendo como público alvo pessoas em vulnerabilidade social;

18. Estimular por meio de incentivos fiscais (IPTU) a isenção ou diminuição de impostos nas áreas de produção de Agricultura Urbana Periurbana, usando as possibilidades do IPTU em sua função social;

19. Implementar instrumentos de incentivos e/ou subsídios, a isenção ou diminuição das taxas de água e energia;

20. Garantir a assistência técnica, capacitação e programas de extensão para a Agricultura Urbana e Periurbana;

21. Facilitar a aquisição de sementes para uso na agricultura urbana;

22. Incentivar a implantação de viveiros de mudas de frutas, hortaliças e verduras em áreas urbanas e periurbanas;

2. Abastecimento
Propostas

1. Implantar sistema público de abastecimento alimentar que agregue equipamentos de SAN, em nível local, estadual e federal;

2. Incentivar a criação de mecanismos de descentralização do abastecimento público e distribuição de alimentos, no varejo e atacado - neste caso, garantir a participação das Centrais de Abastecimento (Ceasas) regionais;

3. Superar entraves sanitários na comercialização de produtos processados oriundos da agricultura familiar e urbana;

4. Superar entraves na logística de distribuição da produção da AUP;

5. Incentivar a criação de um sistema público de transporte de alimentos, para escoamento da produção de agricultores(as) familiares, povos e comunidades tradicionais;

6. Apoiar a constituição de redes de produção e de consumo, considerando circuitos curtos e de venda direta;

7. Utilizar os espaços do Ceasa para comercialização da produção de agricultores(as) familiares e dos povos e comunidades tradicionais;

8. Combater os monopólicos de corporações agroalimentares;

9. Incentivar as feiras populares de produtos agroecológicos e de economia solidária.

3. Acesso à água
Propostas

1. Combater as tendências e iniciativas de privatização das águas para o consumo humano, considerando-a como bem público de uso múltiplo;

2. Captar água bruta ex-ante do consumo doméstico e industrial e ex-post do seu tratamento adequado na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), para utilização da AUP;

3. Garantir a universalização do acesso à água potável, principalmente as populações em situação de exclusão;

4. Buscar alternativas para captação de água de chuva, assim como incentivar tecnologias de reutilização de água;

5. Realizar outorga gratuita ou criar instrumentos de subsídios de diminuição das taxas de uso da água para Agricultura Urbana Periurbana.

4. Educação e cultura
Propostas

1. Ampliar e fortalecer políticas públicas efetivas de educação alimentar nutricional;

2. Incentivar o ensino, a pesquisa e a extensão sobre práticas de SAN em todos os níveis de ensino (fundamental, médio, técnico e superior);

3. Dar maior ênfase à educação alimentar e nutricional nos programas de saúde visando públicos mais vulneráveis (negros, indígenas, ribeirinhos e outros povos de comunidades tradicionais);

4. Adotar a proposta da escola família agrícola em espaços urbanos;

5. Difundir campanhas relacionadas à redução do consumo de carne e ao aumento do consumo de frutas e hortaliças;

6. Capacitar cozinheiras, auxiliares, educadores de instituições sociais em práticas de promoção da alimentação adequada e saudável.

5. Saúde e sanidade dos alimentos
Propostas

1. Considerar o conhecimento ancestral e organização comunitária dos povos indígenas, de terreiro, negros, ribeirinhos e outros povos e comunidades tradicionais como promotores de saúde;

2. Regular a propaganda e publicidade de alimentos;

3. Fortalecer a capacidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) na regulação da qualidade dos alimentos;

4. Capacitar os agentes de saúde como promotores da Segurança Alimentar e Nutricional - SAN;

5. Adaptar a legislação higiênico-sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), de modo a adequar os procedimentos às práticas da pequena produção, principalmente, ao processamento de alimentos;

6. Reduzir impostos de alimentos seguros, oriundos da agricultura familiar agroecológica;

7. Promover campanha para a redução do uso de agrotóxicos;

8. Fortalecer o posicionamento do CONSEA contrário ao uso de agrotóxicos;

9. Combater o envenenamento da população urbana por agrotóxicos e a contaminação por alimentos transgênicos.

6. Participação e Controle Social
Propostas

1. Fomentar o associativismo em ações de AUP por meio de assessoria técnica de base popular e agroecológica e com perspectiva de gênero e raça;

2. Fortalecer a participação da sociedade na formulação e monitoramento das políticas públicas, com especial incentivo à população negra;

3. Formar representantes da sociedade civil para a formulação, monitoramento e gestão de projetos de segurança alimentar e nutricional.

7. Gestão urbana
Propostas

1. Incluir o Direito Humano à Alimentação Adequada como uma diretriz no Estatuto da Cidade;

2. Incorporar a perspectiva da segurança alimentar e nutricional nos programas do Ministério das Cidades, visando o cumprimento do artigo 6o da Constituição Federal;

3. Garantir acesso a terra, espaços para produção de alimentos e implantação de equipamentos públicos de abastecimento nos Planos Diretores, por meio das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) e das demais políticas públicas setoriais;

4. Mapear as demandas da territorialidade e prever espaços para a oferta de equipamentos de SAN para possibilitar a criação de ações de SAN nas zonas de interesse social;

5. Articular as ações de SAN com as ações de habitação, saneamento, mobilidade e acessibilidade urbana, resíduos sólidos e recursos hídricos, entre outras;

6. Considerar a integração das ações de SAN, habitação, saneamento, resíduos sólidos e recursos hídricos nos Planos Diretores de Ordenamento Territorial - PDOTs dos municípios;

7. Garantir a segurança alimentar e nutricional às pessoas em situação de catástrofe;

8. Promover integração entre os conselhos temáticos de Segurança Alimentar, de Política Urbana e de Meio Ambiente para discussão de parcerias intersetoriais;

9. Garantir a intervenção do Estado na mediação de conflitos relacionados ao uso do solo, observando a função social da terra - nos casos de especulação imobiliária, grandes projetos imobiliários (condomínios privados), mineração e grandes plantas industriais;

10. Fortalecer o Programa Brasil Quilombola, incluindo o reconhecimento dos quilombos urbanos;

11. Garantir espaços para produção de alimentos e implantação de equipamentos públicos de abastecimento nos projetos habitacionais;

12. Ampliar as ações de saneamento básico, urbano e rural, como forma de garantir o tratamento adequado dos esgotos;

13. Incentivar a elaboração ou a revisão de leis municipais de uso e ocupação do solo, contemplando-as com questões relativas à SAN;

14. Incluir a Funai e as comunidades e movimentos indígenas na discussão das políticas de desenvolvimento urbano, considerando a convenção 169 da OIT;

15. Incentivar pesquisas e tecnologias apropriadas à realidade urbana de produção de alimentos local, em parceria com instituições de ensino superior;

16. Promover o maior envolvimento dos profissionais do sistema CONFEA/CREA na assistência técnica urbana em conformidade à Lei de Engenharia Pública;

17. Combater a proliferação de corporações imobiliárias que inviabilizam a ocupação pública do espaço urbano;

18. Criar o Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano.

7. Gestão ambiental
Propostas
1. Recuperar áreas degradadas por meio da agricultura urbana;

2. Utilizar-se dos conhecimentos da permacultura - água de chuva, energia solar, compostagem - em iniciativas públicas;

3. Criar mecanismos de gestão e de informação sobre poluentes urbanos na agricultura urbana (ar, terra, água);

4. Criar, fortalecer e apoiar as reservas extrativistas urbanas, unidades de compostagem comunitárias, empreendimentos comunitários, farmácias vivas, hortas pedagógicas, etc;

5. Fomentar projetos sociais coletivos sustentáveis relativos à captação de água da chuva, permacultura, captação de energia solar e eólica, reaproveitamento da água, incluindo a previsão do custeio de equipamentos;

6. Articular o Zoneamento Econômico Ecológico com os Planos Diretores municipais, visando a promoção da segurança alimentar.

8. Gestão da Política Pública de Segurança Alimentar e Nutricional
Propostas

1. Fortalecer o papel articulador do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome no que se refere ao fortalecimento da gestão intersetorial da Política de Segurança Alimentar e Nutricional;

2. Incluir o enfrentamento ao racismo nas análises e diagnósticos da política de SAN, considerando seu caráter estruturante das desigualdades e exclusão social, econômica, política e ambiental, uma vez que a população que se encontra em situação de extrema pobreza é majoritariamente negra;

3. Inserir recorte de gênero e de raça/etnia nas políticas públicas de SAN;

4. Promover a intersetorialidade entre as diversas secretarias do MDS, do Ministério das Cidades e do Ministério do Meio Ambiente e demais os órgãos de governo;

5. Procurar articular as diretrizes dos marcos legais da saúde, da educação, do meio ambiente, da agricultura e da assistência social, adequando-os às necessidades sociais do contexto urbano;

6. Contemplar povos indígenas e populações tradicionais residentes na área urbana, incluindo esses segmentos em programas e ações de SAN;

7. Ampliar recursos públicos para as políticas de SAN;

8. Incentivar a criação de bancos de alimentos que absorva a produção alimentos e plantas medicinais no meio urbano e que coíba o desperdício de alimentos;

9. Fortalecer as práticas agroecológicas desenvolvidas pela agricultura familiar e por povos e comunidades tradicionais como estratégicas nas políticas de SAN de forma a coibir a proliferação do agronegócio, o uso de agrotóxicos e a produção de alimentos transgênicos;

10. Criar Grupos de Trabalho para aprofundar o tema de SAN no contexto urbano no âmbito dos Conselhos das Cidades (ConCidades), Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e articular suas agendas para a construção de propostas intersetoriais;

11. Criar uma rede virtual de troca de experiências sobre práticas de SAN no contexto urbano;

12. Incluir o quesito raça/cor em todo o sistema de registro de pessoas, com prévia formação dos agentes públicos e com participação de organizações da sociedade civil nesta formação;

13. Fomentar iniciativas de segurança alimentar e nutricional nos movimentos sociais para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada;

14. Apoiar os agentes comunitários de saúde para informar e orientar a população assistida pelo programa sobre o uso adequado dos alimentos e serviços oferecidos pelos equipamentos de saúde, nutrição e SAN;

15. Regionalizar os editais dos projetos e ações da área de Segurança Alimentar e Nutricional levando em conta os biomas e as diversidades locais;

16. Incentivar o consumo, a pesquisa e a instituição de bancos de sementes das hortaliças não convencionais e perenes;

17. Promover uma releitura do Plano Nacional de SAN para identificar ações efetivas relacionadas ao papel do território/espaço urbano na promoção da segurança alimentar e nutricional;

18. Incluir no Marco legal da Agricultura Urbana e Periurbana a previsão de financiamento de projetos da sociedade civil por parte de vários órgãos governamentais, tais como, Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério das Cidades, Ministério da Saúde, Ministério de Desenvolvimento Agrário, Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Ministério do Meio Ambiente.

Moção aprovada no Encontro:

Moção de apoio à exposição de motivos da CONSEA contra a CTNBio