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Enviada
09/07/2008
EM
DEFESA DOS USUÁRIOS DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Nós,
usuários do SUS representados no Conselho Nacional de Saúde,
há muito temos visto as demandas apresentadas - e negociadas
- não receberem, por parte do Ministério da Saúde,
a atenção e os encaminhamentos necessários.
Acompanhamos,
através de nossa vivência pessoal, das informações
colhidas pelas entidades nacionais que representamos e pela mídia,
diferentes situações que traduzem as precariedades do
cotidiano das ações de saúde, para as quais demandamos
explicações urgentes do Ministro da Saúde. São
exemplos recentes:
1.
Em Belém do Pará está acontecendo no momento o
episódio de extrema gravidade referente à morte de mais
de trinta bebês internados na Santa Casa. Declarações
lamentáveis de gestores à mídia não têm
vindo acompanhadas de ações concretas de diagnóstico
da situação e de resolução das possíveis
causas de tantas mortes. Não vimos tampouco qualquer ação
direta do Ministério da Saúde, da ANVISA ou de outros
órgãos competentes em apoio à população
paraense, no sentido de cessar as mortes evitáveis e de apoiar
gestores na reorganização do sistema de saúde local,
com medidas de curto, médio e longo prazo. Acreditamos que não
se trata de coincidência o fato de tamanha calamidade acontecer
em momento tão delicado para o controle social estadual e municipal
no Pará.
Assinalamos
que nós, integrantes do segmento de usuários neste Conselho,
somos representantes dos bebês mortos, de suas mães, seus
familiares e da população do estado do Pará. E
é em nome de todos exigimos explicações e providências
imediatas.
Propomos
também ao CNS que envie representantes à Belém
para colher informações detalhadas sobre a situação
e seus encaminhamentos.
2.
A violação do direito à saúde da população
indígena brasileira têm sido denunciada repetidamente neste
Conselho. Denúncias de gestão temerosa dos recursos da
FUNASA têm sido pautadas entre nós sem que se tenha, por
parte do Ministério da Saúde, uma ação consistente.
3.
No Rio de Janeiro, uma seqüência de atos inconseqüentes
por parte dos gestores, com o deslocamento abrupto e sem planejamento
de trabalhadores da saúde provocaram a paralisação
de serviços e o conseqüente agravamento na falta de atendimento.
4.
A elaboração de um Protocolo de Atenção
à Doença Celíaca foi um compromisso assumido aqui
neste Conselho pelo Ministério da Saúde. No entanto, até
o momento, nenhum resultado foi apresentado.
5.
A dengue, que foi tema de debate entre nós, arrefeceu em decorrência
do esfriamento do clima. No entanto, as medidas necessárias para
que se impeça a volta da calamidade nos próximos verões
não foram anunciadas.
6.
As filas de espera por consultas, exames e outros procedimentos de diferentes
graus de complexidade, sem que usuário tenha qualquer informação
sobre o tamanho das filas, suas causas e soluções, acontecem
em todo o país, contribuindo para elevação das
taxas de adoecimento e morte.
7.
Os serviços de emergências estão superlotados em
todos os estados, com falta de profissionais, equipamentos e materiais,
colocando em risco a vida da população.
8.
O acelerado e intenso processo de privatizações de serviços
e unidades do SUS em diferentes estados e municípios, como São
Paulo (estado e município), Santa Catarina, Rio Grande do Sul,
entre outros, sem que ocorram providências normativas e jurídicas.
Muitos
outros exemplos podem ser citados. Todos apontam para a necessidade
de mobilização permanente dos usuários do SUS que,
aqui, exigem explicações e providências imediatas!
Brasília,
9 de julho de 2008

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