| Carta
da Coordenação dos Movimentos Sociais
Com a unidade e a força dos movimentos sociais o Brasil vai
mudar
Chegamos a nossa 5ª Plenária com o ânimo revigorado
pela presença de mais de 120 companheiros e companheiras, vindos
de 14 estados do Brasil representantes de 25 entidades nacionais e
regionais. Comemoramos a vitória do povo trabalhador e dos
movimentos sociais. A reeleição de Lula foi uma demonstração
de consciência política de nosso povo, que não
se deixou enganar pela velha elite privatista e neoliberal, nem se
deixou manipular pela tendenciosa mídia hegemônica. Vivemos
agora um momento ímpar na história brasileira. Nunca
tivemos um ambiente tão favorável para avançarmos
na luta por um Brasil mais justo, soberano e solidário com
desenvolvimento econômico e social.
Foi no segundo turno das eleições que ficou explicitada
a disputa entre dois projetos antagônicos para o país.
O projeto de desenvolvimento com distribuição de renda,
democrático e popular, uniu os movimentos sociais e setores
progressistas que compreenderam a dimensão da luta política
e tiveram papel decisivo na construção da vitória
de Lula e conseqüente derrota da direita neoliberal.
Devemos estar preparados para realizar grandes mobilizações,
reforçar ainda mais a unidade e garantir a autonomia dos movimentos
sociais para fazer valer a vontade expressa nas urnas. Reafirmamos
o Projeto Brasil, documento aprovado na 4ª Plenária Nacional
da CMS, como plataforma máxima de reivindicações.
Mas também entendemos que nesse momento especial não
podemos nos furtar de apontar os caminhos que levarão à
efetiva construção desse projeto de desenvolvimento
nacional.
Vamos lutar pela soberania nacional baseada na ruptura com a lógica
financeira ditada pelo capital especulativo, calcada nos juros altos
e no elevado superávit primário. Vamos lutar pela integração
latino-americana e saudar iniciativas de cooperação
entre nossos países sem nunca desrespeitar a soberania dos
povos irmãos, como ocorreu recentemente no acordo feito através
da Petrobrás com a Bolívia.
A campanha pela anulação do leilão da Companhia
Vale do Rio Doce, processo criminoso e ilegal que alienou este estratégico
patrimônio brasileiro serve como instrumento de conscientização
e mobilização popular, demarcando campo contra a política
privatista que atenta contra os interesses nacionais.
Lutaremos por uma Reforma política democrática, que
respeite a pluralidade partidária banindo a restritiva e autoritária
cláusula de barreira. Queremos ver os partidos fortalecidos
através da instituição da fidelidade partidária
e do sistema de listas para a escolha dos candidatos. Mas também
queremos ver aprofundados os mecanismos de participação
popular como os plebiscitos, referendos, orçamento participativo
além do fortalecimento dos conselhos, assembléias e
conferências. O Brasil justo e soberano que queremos só
será possível com o fim da criminalização
dos movimentos sociais e a plena liberdade de organização
das entidades representativas da sociedade civil.
Precisamos acabar com o criminoso monopólio da mídia
que impõe a agenda da elite neoliberal derrotada nas eleições
à imensa maioria do povo. É urgente a democratização
dos meios de comunicação através da ampliação
das rádios comunitárias e as concessões de canais
de rádio e televisão com financiamento público
para as entidades do movimento social, além da criação
de canais públicos na televisão aberta.
Lutaremos pela efetiva implementação do modelo de desenvolvimento
tão ansiado pelo povo brasileiro. Queremos ver as mudanças
no Brasil serem aprofundadas e por esse compromisso não daremos
trégua à política econômica conservadora
que impede nosso país de crescer e trilhar os caminhos da justiça
social. Só com o crescimento acentuado da economia, com vias
ao desenvolvimento sustentado, será possível gerar empregos
e distribuir renda. Rejeitamos qualquer proposta de manutenção
da atua política econômica. É preciso romper com
a ortodoxia do Banco Central, expulsando de lá a direita tucana
que à frente do BC praticam a política de juros altos,
arrocho fiscal e superávit.
Queremos uma política permanente de valorização
do Salário Mínimo, rendimento base de milhões
de brasileiros, instrumento maior da distribuição de
renda. Sabemos que só com uma nova política econômica
superaremos as amarras que nos impedem de ver efetivada a Reforma
Agrária, a Reforma Urbana, a ampliação das políticas
sociais com mais investimento em saúde e educação
públicas. Precisamos de uma nova economia que permita a ampliação
dos investimentos nas áreas sociais com políticas públicas
universais voltadas à ruptura da desigualdade de raça,
etnia, gênero e orientação sexual.
Para ver implementado esse projeto é fundamental que consolidemos
a unidade dos movimentos sociais em torno de uma agenda de lutas que
impulsione as mudanças no Brasil. Conclamamos as entidades
que participam da CMS a também construir e participar de outras
iniciativas e processos de mobilizações do movimento
social, como a Assembléia Popular, reforçando nossa
unidade e fortalecendo nossa ação.
O primeiro momento desta agenda será a “Marcha do Salário
Mínimo, reajuste da tabela do imposto de renda e redução
da jornada de trabalho sem redução de salário”
convocada pelas centrais sindicas para o próximo dia 6 de dezembro
de 2006.
Nós da CMS chamamos a todos que querem construir esse novo
Brasil, mais justo e igualitário, a sair às ruas radicalizando
a luta por mudanças na política econômica, por
uma reforma política democrática, pela democratização
dos meios de comunicação e pela consolidação
de uma integração solidário do povo latino-americano.
Todos a luta!
Guararema, 11 de novembro de 2006.
5ª Plenária Nacional da Coordenação dos
Movimentos Sociais
AGENDA MOVIMENTO SOCIAL
NOVEMBRO
13 – Reunião de lançamento e mobilização
para o FSM 2007– São Paulo
15 e 16 – Plenária Nacional da Assembléia
Popular - Brasília
21 a 23 – Fórum Educacional do Mercosul –
Belo Horizonte
23 e 24 – Reunião Nacional Preparatória
à Cumbre dos Povos da Bolívia – São Paulo
23 e 24 – Plenária Nacional da Campanha Contra
a ALCA – São Paulo
25 e 26– Plenária Nacional de organização
da Campanha pela anulação do leilão da Vale do
Rio Doce – São Paulo
DEZEMBRO
4 – Ato público “Desenvolvimento nacional com justiça
social” - (UNE) São Paulo
6 a 7 - Mobilização Nacional pela Valorização
do Salário Mínimo - Brasília
6 a 9 – Cumbre Social pela Integração
dos Povos – Cochabamba, Bolívia
13 a 15 – Cúpula Social do Mercosul – Brasília
JANEIRO
20 a 25 – VI Fórum Social Mundial – Nairóbi,
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