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14/06/2010 Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil 12 de junho
- Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil O futebol é
hoje paixão nacional que encanta meninos e meninas com o sonho
de fazer carreira. Sonho esse que fomenta o imaginário de milhões
de crianças, sobretudo as pobres, que veem neste esporte uma
possibilidade de ganhar além do poderoso dindin, prestigio e,
enfim, cidadania. Um, em alguns milhões
conseguem atingir essa meta. Contudo, a duras penas. Porém é
um sonho que é esmagado pela realidade. A pobreza vai desenhando
outro quadro. Muito precocemente estas crianças se dão
conta que estão obrigadas a ir ao mercado de trabalho para ganhar
o pão de cada dia, sobrevivendo frente à brutalidade do
mundo capitalista, se submetendo inclusive nas piores formas: carvoaria,
prostituição, tráfico, trabalho doméstico,
dentre outras. Pensando nisso que
o Fórum Nacional e Paulista de Prevenção e Erradicação
do trabalho infantil resolveu interagir com essa realidade, dialogando
cada vez mais com a sociedade na busca por superar mentalidades arraigadas
em crenças perpetuadas pelo interesse da classe dominante de
que para ao pobre, a melhor saída é o trabalho.Tal defesa
é impensável quando se trata de seus filhos, cuja vida
é bem diferente. O capital compra tudo. O tempo lhes pertence,
a essas crianças é garantida da infância: tempo
de brincar, estudar e se formar como pessoa, o que deveria ser uma garantia
a todas as crianças, pelo simples fato de a ser. O mundo adulto
capitalista rouba a infância, subverte a ordem: torna a criança
responsável pelo adulto, às vezes por uma família
e o faz de forma extremamente lucrativa. Utiliza de seus aparatos ideológicos
para manter essa situação. Temos como resultado, mais
de 05 milhões de crianças nestas condições.
Mais de 1,2 milhões nas piores formas, realidade essa que se
espalha pelo Brasil afora. A idéia do
CARTAO VERMELHO, contando com o apoio de craques, juízes e jogadores
famosos como Robinho nos ajuda a colocar o tema em debate nos campos
de futebol. Quiçá
não nos conformemos com a miséria tanta, que faz com que
não queiramos ver que, mesmo ao tropeçarmos nas ruas centrais
das cidades e nos centros das periferias com elas, jogadas nas ruas
como um lixo, por um fugaz instante, nos sentimos impotentes frente
aquele ser totalmente indefeso pedindo socorro, que vive em situação
de extrema vulnerabilidade, que denuncia ao olho nu o que a sociedade
capitalista tenta ignorar e o poder público se omite. Drogadas,
prostituídas, enlouquecidas e desumanizadas continuem pagando
o preço de um mundo marcado por profundas desigualdades, embrutecidos
e nós, seguimos em frente? É preciso
prosseguir na luta por um pais onde a maternidade seja dotada também
de paternidade, homens e mulheres possam ter seus filhos e que o País
possibilite sustentá-los, em todos os sentidos - protegê-los
para que se tornem pessoas saudáveis dotados de plena cidadania. Passada a copa é
hora de votar, dar continuidade ao projeto desenvolvido implementado
pelo governo Lula, que sem duvida nenhuma, tem feito mudanças
significativas para a vida dos mais pobres. Basta dizer que em 1999,
no Brasil havia no trabalho infantil mais de 11 milhões crianças
e esse numero foi reduzido pela metade. E fato que a bolsa família
e a bolsa PETI têm amenizado esse quadro de trabalho infantil,
mas não o resolvem. Isso só é possível com
mudanças estruturais, tais como: o fortalecimento do estado brasileiro,
desenvolvimento com distribuição de renda, reforma agrária,
reforma educacional, valorização do trabalho com sustentabilidade
sócio ambiental e soberania nacional. Metas fundamentais para
que possamos caminhar para o fim do trabalho infantil. Trabalhar somente em idade apropriada, conforme luta e conquista já feita em lei. Vamos dar continuidade a esse processo de mudanças, caminhar para outro tipo de sociedade, inverter valores e colocar o ser humano no centro de tudo e derrotar o sistema capitalista nefasto que nada tem a oferecer a humanidade. Essa é a
luta! Marcia Regina Viotto |
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