| BOLETIM
N º 2
Marcha Nacional da Reforma Urbana e pelo Direito à Cidade
TODAS E TODOS À BRASÍLIA!
A Marcha Nacional da Reforma Urbana e pelo Direito à Cidade,
uma iniciativa dos movimentos sociais urbanos, de âmbito nacional:
CONAM – Confederação Nacional de Associações
de Moradores, MNLM – Movimento Nacional de Luta pela
Moradia, UNMP – União Nacional por Moradia
Popular e CMP - Central de Movimentos Populares,
do Fórum Nacional de Reforma Urbana e da Frente Nacional pelo
Saneamento Ambiental, vem sendo discutida e construída desde
o início deste ano pelos movimentos e fóruns de reforma
urbana de todo país e tem como objetivo sensibilizar o governo
brasileiro e a sociedade para as profundas desigualdades sociais existentes
nas cidades, especialmente, para a falta de moradia digna e saneamento
ambiental. Neste caminho, a Marcha foi integrada à Plataforma
Brasileira da Ação Global contra a Pobreza.
Neste complicado momento político do país, torna-se
mais do que nunca imprescindível mostrarmos nossa força,
a força do povo, nas ruas, dizer que queremos governos democráticos
sim, mas um modelo de democracia onde a população organizada
participa da formulação das políticas e do monitoramento
dos programas, através de instâncias de gestão
participativa. Dizer que queremos a mudança da política
econômica em curso e o investimento maciço do Estado
em políticas, programas e projetos sociais que tornem o direito
constitucional à moradia e o direito à cidade uma realidade.
Todas e todos à Brasília no dia 15 de agosto!
PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA MARCHA
Como processo preparatório, foram formados Comitês Estaduais
da Marcha em 23 estados, a partir da iniciativa dos fóruns
regionais de reforma urbana, das entidades estaduais dos 04 movimentos
sociais urbanos, de ongs, instituições de classe, de
estudantes e outros movimentos de sem-teto e entidades da sociedade
civil organizada que lutam pela reforma urbana.
Os Comitês mobilizaram a base dos movimentos e colocaram o debate
sobre a reforma urbana e o direito à cidade a nível
local e estadual. Além de propostas para a Plataforma Nacional,
diversos Comitês elaboraram suas plataformas municipais e estaduais,
instrumento para a luta local por melhores condições
de vida e para a redução das desigualdades e da pobreza
nas nossas cidades.
No dia 17 de junho, representantes de 17 estados estiveram presentes
na 1ª Oficina da Marcha, realizada em São Paulo, para
a construção coletiva da Plataforma Nacional da Marcha
da Reforma Urbana e pelo Direito à Cidade, discutindo as propostas
e a organização da Marcha.
No dia 16 de julho, foi realizada uma 2ª Oficina da Marcha, no
Encontro Nacional do Fórum Nacional de Reforma Urbana, em São
Paulo, que fechou a seguinte proposta final do DOCUMENTO POLÍTICO
da Marcha:
MARCHA NACIONAL DA REFORMA URBANA E PELO DIREITO A CIDADE
Vivemos atualmente num cenário mundial conservador, onde prevalecem
os interesses de poucos em detrimento dos direitos de muitos. Participar
de iniciativas e movimentos que buscam a construção
de uma outra sociedade, como vem sendo feito na América Latina,
deve fazer parte do cotidiano de cada um de nós. A luta pela
construção dessa nova sociedade, passa pela defesa de
cidades mais justas, igualitárias e democráticas.
No Brasil temos milhões de famílias que não têm
acesso à moradia e, quando têm, moram em condições
inadequadas.
Os dados oficiais apontam mais de 7 milhões de famílias
sem casa e mais de 10 milhões que moram de forma precária,
em áreas sem infra-estrutura urbana e saneamento ambiental
e 83 milhões não são atendidos com pelo menos
um dos serviços públicos (água, esgotamento sanitário,
coleta de lixo e energia elétrica). É a população
empobrecida do país a penalizada, que sofre com a insuficiência
e a baixa qualidade dos serviços públicos, que adoece
e que não tem atendimento pois faltam médicos, medicamentos,
postos e hospitais públicos. E que não consegue trabalho
e, quando consegue, é longe de casa, o salário é
baixo, o transporte urbano é precário e caro.
Este quadro é fruto de um processo de urbanização
intenso, desigual, injusto e insustentável, (mais de 80% da
população brasileira hoje é urbana) ocorrido
ao longo dos últimos anos e ainda em curso. Essa urbanização
serviu e ainda serve às necessidades de uma minoria, enquanto
a cidadania é negada à maioria da população,
prevalecendo a segregação urbana e a exclusão
sócio-econômica, que atinge principalmente as mulheres,
os negros, as crianças e os idosos.
Agravando essa situação sofremos com o processo de privatização
feito pelo Governo FHC e com a política macro-econômica
herdada e adotada pelo Governo Federal, que mantém as altas
taxas de juros e o superávit primário (superávit
é o que ocorre quando as receitas são maiores que as
despesas, ou seja o Governo arrecada mais do que gasta, e o superávit
primário é quando esta conta é feita sem levar
em consideração o pagamento dos juros da dívida
pública interna e externa). O governo federal faz reservas
para garantir o pagamento de juros e serviços da dívida
pública. Ele tem feito essa reserva tanto com o aumento da
arrecadação (receita) quanto com a redução
de gastos, ou seja, cortando investimentos nas áreas sociais
como na saúde, educação, moradia, entre outras.
Em 2004, o Governo fez um superávit primário (reserva)
de aproximadamente 70 bilhões. Esses recursos poderiam ser
utilizados para, por exemplo, construir cerca de 14 milhões
de casas populares; assentar 2 milhões de famílias sem
terra; gerar 3,5 milhões de empregos na agricultura e poderia
elevar o salário mínimo para R$ 425,00. Neste sentido,
reafirmamos nossa posição contrária a política
de superávit primário que aprofunda a miséria
e a pobreza em nosso país.
Piorando a situação o Governo se encontra diante de
uma crise política, provocada por fortes denúncias de
corrupção, envolvendo os altos escalões da política
brasileira. Essa crise vem colocando em risco o projeto de mudança
tão desejado pelo povo brasileiro. Defendemos a apuração
de todo as denúncias e punição de todos os culpados.
Embora tenhamos tido alguns avanços, como a criação
do Ministério das Cidades, o processo de participação
da sociedade, através da Conferência das Cidades e a
criação do Conselho Nacional das Cidades, isso não
tem representado respostas concretas às grandes necessidades
da população brasileira. De um lado, os recursos têm
sido insuficientes e, de outro, os programas e políticas estão
sendo implementados num ritmo muito lento, limitando o avanço
de programas como o crédito solidário. É preciso
acelerar as ações que tratam de construção
de moradia popular, que melhorem e tornem mais baratos os transportes
coletivos, que melhorem e ampliem o acesso aos serviços de
água, esgoto e lixo para mudar a triste situação
em que vivem milhares de famílias do nosso país. Somente
com pressão popular o governo atual mudará os rumos
e trilhará outro caminho, um caminho que concretize as mudanças
tão esperadas pela maioria da população. E para
isso, é necessário que haja recursos suficientes e exclusivos
para que as políticas urbanas e políticas sociais sejam
realizadas.
Para reverter essa situação estamos mobilizando as organizações
da sociedade civil para pressionar o governo a implantar políticas
públicas que garantam a efetivação do direito
a cidades socialmente mais justas democráticas e sustentáveis.
Buscando contribuir com esse esforço a Confederação
Nacional das Associações de Moradores – CONAM,
a União Nacional por Moradia Popular – UNMP,
a Central de Movimentos Populares – CMP, o Movimento
Nacional de Luta por Moradia – MNLM, o Fórum
Nacional da Reforma Urbana - FNRU, a Frente Nacional
de Saneamento Ambiental – FNSA e outras organizações
comprometidas com a luta pela reforma urbana, realizam a Marcha Nacional
da Reforma Urbana e pelo Direito a Cidade, nestes dias 15 e 16 de
Agosto, em Brasília.
Segue abaixo nossa plataforma de reivindicações:
a. O reconhecimento da Carta Mundial pelo Direito à Cidade,
que amplia e incorpora direitos como: a terra urbanizada, a moradia
de qualidade, o saneamento ambiental, a mobilidade e ao transporte
urbano, o acesso ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras
gerações.
b. Regulamentação imediata da lei 11124/05, que criou
o Fundo e o Conselho Nacional de Habitação de Interesse
Social, através de amplo debate com o Conselho Nacional das
Cidades e com a sociedade e garantia de recursos do Orçamento
Geral da União, do FGTS e do FDS para o Fundo.
c. Atendimento da demanda dos movimentos (50.000 unidades habitacionais)
ainda este ano e 100.000 por ano a partir de 2006.
d. Combate aos despejos forçados por meios legais, de políticas
públicas pró-ativas e de prevenção e mediação
junto às ações dos despejos e de todas as formas
de exclusão social e segregação urbana.
e. A aprovação da política nacional de saneamento
ambiental, a promoção de programas e o aporte de recursos
visando, a universalização do acesso à água
e aos serviços de esgotamento sanitário e a coleta de
resíduos sólidos.
f. Criação de instâncias participativas e deliberativas
de gestão democrática, com participação
popular, no nível municipal, estadual, metropolitano, de consórcios
municipal e regional.
g. A implementação imediata do Estatuto da Cidade por
todos os níveis de governo, promovendo a função
social da cidade e da propriedade.
h. A implementação da política urbana de forma
integrada nas regiões metropolitanas, priorizando o atendimento
às famílias de baixa renda, localizadas nas periferias
das metrópoles brasileiras.
i. A promoção de políticas que garantam o direito
ao transporte público de qualidade através de recursos
permanentes para o setor; o barateamento das tarifas através
de justiça social e tributária; a priorização
do uso do viário para o transporte público; a integração
entre os vários modais de transporte; a ampliação
do sistema metro-ferroviário nas regiões metropolitanas;
a ampliação das ciclovias e ciclo-faixas; a paz no trânsito
através de campanhas; liberação de recursos contingenciados;
e medidas que garantam acessibilidade para as pessoas com deficiência
e mobilidade reduzida.
j. A adoção de políticas urbanas que promovam:
a equidade de gênero; o reconhecimento dos direitos dos idosos
e dos homossexuais; oportunidades aos grupos étnicos discriminados,
sobretudo, os afrodescendentes; e o protagonismo juvenil.
k. Mudança da política econômica, por meio de
um novo projeto de desenvolvimento nacional, gerador de empregos e
promotor da integração social, que priorize o aporte
de maior volume de recursos para as políticas sociais.
l. A garantia de que os governos assumam compromissos com a implementação
de políticas públicas para a igualdade de oportunidades
para as mulheres nas cidades, fixando recursos dos orçamentos
governamentais para a efetivação destas políticas.
m. A promoção de políticas de segurança
pública que estejam baseadas na cidadania, que protejam os
direitos dos cidadãos que vivem nas favelas e periferias, garantindo
a inclusão social como forma de combate à violência
urbana.
n. Enfrentar o monopólio dos meios de comunicação,
garantindo democratização, através do fortalecimento
e concessão de outorgas para rádios e TVs realmente
comunitárias, colocando-as a serviço da comunidade;
criação de uma legislação para concessão
de TVs comunitárias de canal aberto. Garantir a realização
da I Conferência Nacional de Radiodifusão Comunitária.
NOVO CALENDÁRIO E AGENDA EM BRASÍLIA
Nos estados
DIA 12 DE AGOSTO
Ato nos Estados de Mobilização pela Reforma Urbana e
pelo Direito à Cidade
Em Brasília
DIA
15 DE AGOSTO
Manhã
• Às 07 horas: Concentração no Memorial JK
• Caminhada até o Ministério das Cidades
• Ato em frente ao Ministério das Cidades
Tarde
• Audiências com Ministérios: das Cidades, do Trabalho,
da Justiça, Secretaria de Comunicação, Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres e Secretaria Especial
para Promoção da Igualdade Racial
• Atividades na tenda: Debate sobre Reforma Urbana e o Direito à
Cidade; sobre a
Campanha Tarifa Cidadã
DIA 16 DE AGOSTO
Manhã
• Ato em frente ao Ministério da Fazenda, contra a política
econômica, em conjunto com a coordenação da CMS
Tarde
• Audiência com Presidente Lula
• Audiência com Presidente Senado e Câmara
• Plenária Final da Marcha
Todos e todas à Marcha Nacional da Reforma Urbana pelo Direito
à Cidade!!!
Dia 12 de agosto – Ato em Goiânia e Dia Nacional
de Mobilização
Dias 15 e 16 de agosto – Marcha à Brasília
CARAVANA PARA BRASÍLIA - ÔNIBUS
Os ônibus deverão chegar até às 7 horas
da manhã, do dia 15 de agosto, segunda-feira, no Memorial JK
para iniciarmos nossa caminhada.
Segue o número de ônibus já acertados e os respectivos
estados de onde deverão sair, bem como as entidades que estão
responsáveis para organizar os marchantes:
Estado |
Nº
de ônibus |
Entidades
responsáveis |
BA |
02 |
CONAM
e UNMP |
CE |
02 |
CONAM e CMP |
DF |
30 |
CONAM e MNLM |
ES |
01 |
CONAM e MNLM |
GO |
02 |
CONAM e UNMP |
MS |
02 |
CONAM e MNLM |
MG |
19
|
CONAM e UNMP |
PB |
01 |
MNLM e CMP |
PE |
02 |
CMP e UNMP |
PI |
01 |
CONAM |
RJ |
10 |
CONAM e CMP |
RN |
01 |
CONAM e CMP |
RS |
01 |
CONAM, CMP MNLM |
SC |
01 |
CONAM e UNMP |
SP |
03 |
CONAM e CMP |
SE |
02 |
CMP e MNLM |
TO |
01 |
CONAM e MNLM |
| TOTAL |
81 |
|
Estados
que ainda teremos que viabilizar ônibus:
AC - MNLM e CMP
AL -UNMP e CMP
MA - UNMP e MNLM
PA - CONAM e MNLM
PR - CMP e MNLM
RO - CMP e UNMP
MAIS INFORMAÇÕES E CONTATOS:
Secretaria da Marcha - Lucimara (11)
3399-4330
- marchareformaurbana@hotmail.com
Confederação Nacional das Associações
de Moradores – (11) 3271-7240
Central de movimentos Populares – (11) 5581-0948
União Nacional por Moradia Popular – (11)
3667-2309
Movimento Nacional de Luta por Moradia – (11) 6243-1421
Fórum Nacional de Reforma Urbana – (21) 2356-7350
- forumreformaurbana@fase.org.br
|