Ameaça de despejo no Rio de Janeiro

No dia 13 de junho, a comunidade do conjunto habitacional Noêmia Nunes, em Olaria, acordou surpreendida, com a rua tomada por policiais militares armados de metralhadores e cães, ameaçando e intimidando os moradores a não resistirem a ordem de despejo, sentenciada pelo juiz Gustavo Quintanilha Telles Menezes, no dia 11 de junho, em reintegração de posse.

Habitam esse conjunto 54 famílias, as mais antigas desde o ano de 1998, por abandono dos proprietários. São trabalhadores, em grande parte informais, de baixa renda, organizados pela Associação de Moradores do local, AMOCRENN, que cadastraram-se no ITERJ ( Instituto de Terras do Estado do Rio de Janeiro) com objetivo de regularizar a situação dos seus imóveis. O ITERJ, fez um estudo da região, dos apartamentos existentes, e do terreno vazio em redor, estimando o seu valor, e encaminhando ao estado a sua desapropriação e construindo um projeto habitacional para baixa renda.

Os proprietários, apesar de possuírem alta renda, morando um inclusive na França, nunca investiram no imóvel, mais não querem perde-lo e procuram tirar proveito da situação. Recorreram judicialmente a posse, e indiferentes ao processo em curso, procuram obter novamente a sua propriedade, utilizando de todos os meios possíveis.

Foram várias ameaças de despejo, recursos e sofrimentos impetrados contra a comunidade. O mais grave, foi o último, do dia 13 de junho, onde a ordem de despejo, foi julgado no dia 11, a população não foi informada, e surpreendida por um grande aparato policial armado, 2 dias depois da sentença, com uso da força, caso necessário, na tentativa de impedi-la de ação, numa iniciativa de conluio entre os proprietários e o juiz. O juiz , no atendimento aos proprietários, que distorcendo o resultado da apelação julgada no dia 30 de junho de 2007, dá liminar a estes de reintegração de posse.

Os moradores notificaram a Defensoria Pública, imediatamente do que estava acontecendo, que dirigiu-se ao desembargador Sergio Cavalieri Filho, que pediu apreciação da apelação então julgada em Audiência de Justificação, dando provimento ao recurso da Defensoria Pública, que estava em aguardo de publicação, desfazendo a interpretação ora em transito. Foi dado o prazo de 24 horas para ser devolvido o material que tinha sido levado pela polícia e pelos oficiais de justiça.

O Presidente da Associação de Moradores do Conjunto, Adilson Gomes da Silva, encontrava-se em Brasília, e foi atendido, na audiência com o Ministro Marcio Fortes, na Caravana de Lutas da CONAM, onde deu ciência do acontecido, e encaminhou mais uma vez o seu projeto de habitação, a ser contemplado, na demanda por habitação popular, destinada pelo fundo de financiamento público do fundo nacional de habitação de interesse social.