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Enviada
28/02/2011
Convergência
dos habitantes pelo direito ao habitat
Ao
longo dos últimos dez anos, os processos de união, articulação
ou convergência entre os militantes, os movimentos sociais, as
organizações de moradores e as instâncias técnicas
de apoio que defendem o direito à moradia vêm se consolidando.
Constatação
Ao
longo dos últimos dez anos, os processos de união, articulação
ou convergência entre os militantes, os movimentos sociais, as
organizações de moradores e as instâncias técnicas
de apoio que defendem o direito à moradia vêm se consolidando.
Reunimo-nos em torno das lutas pela implementação dos
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (DESC), fundamental para
defender o local estrutural da família, das comunidades rurais
e urbanas, assim como a vida em comum baseada na inclusão de
todas e todos. Isso significa falar dos DESC como algo ligado ao direito
ao habitat. Esses direitos cobrem as obrigações do Estado
relacionadas à água, ao saneamento, à educação,
à acessibilidade, à saúde e à participação;
ao meio ambiente; aos migrantes; eles são a base legal para reivindicar
os direitos à terra, aos recursos naturais, aos meios de subsistência,
à energia, ao transporte e ao lazer. Graças às
suas relações com a família, a casa, o bairro ou
núcleo urbano e o espaço público, as mulheres são
as protagonistas das lutas locais pela defesa do direito ao habitat.
Mas são também as principais excluídas dos direitos
os quais devemos reconhecer e defender em todas as nossas lutas.
Os
obstáculos ao acesso ao direito ao habitat multiplicam-se por
toda parte do mundo, independentemente das diferenças culturais
locais. Por isso devemos denunciar: as pressões territoriais
e imobiliárias no habitat dos setores mais pobres, carentes e
vulneráveis ; a acumulação das terras ; a destruição
de bairros populares e pequenas povoações ; a inacessibilidade
das cidades ; o enobrecimento dos bairros antigos ; o aumento dos alugueis
comparado à estagnação da renda; a privatização
dos espaços públicos; os megaprojetos e megaeventos cujo
planejamento e desenvolvimento violam o direito das populações
de permanecer em seus locais tradicionais de residência; os conflitos
armados e as ocupações dos territórios ; os campos
de refugiados ; os desastres chamados " naturais " e os efeitos
da mudança climática que se traduzem por inundações,
desmoronamentos, e ainda a poluição da água, do
ar e da terra; e por todas essas questões, é preciso denunciar
e ressaltar a desigualdade e a discriminação das mulheres
na realização de seus direitos ao habitat. Todos esses
fenômenos territoriais engendram numerosos despejos cujo impacto
é cada vez maior sobre um grande número de populações
rurais e urbanas do mundo inteiro.
Propostas
Nós,
organizações locais, nacionais, regionais, continentais
e globais aqui reunidas, comprometemo-nos a dar continuidade à
construção da solidariedade para que todos tenhamos o
direito de viver em paz e dignidade em nossas cidades e zonas rurais.
Comprometemo-nos assim a participar a cada ano da Campanha Mundial pelo
Direito ao Habitat, celebrada na primeira segunda-feira do mês
de outubro.
No
dia 3 de outubro de 2011 e no dia 1° de outubro de 2012, estes são
os temas que nos reagruparão em todo o mundo: 1) Causas e efeitos
dos despejos, sofrimentos e empobrecimento das pessoas afetadas ; 2)
a solidariedade com os militantes pelo direito ao habitat, vítimas
de repressão e violação de seus direitos civis
e políticos.
A
campanha anual pelo direito ao habitat vai manifestar-se de maneira
inclusiva, na diversidade, e será coordenada por todas as pessoas
- mulheres e homens - envolvidas nessa luta no mundo inteiro, por meio
de denúncias, passeatas, ocupações, manifestações,
debates públicos e reuniões, entre outros. A divulgação
da campanha será feita principalmente pelas redes sociais via
internet, com apoio também dos sites de todos os movimentos,
redes e organizações envolvidos.
Para
fazer face a esse compromisso, as organizações e redes
constituem um Comitê de contato que será responsável
por combinar uma plataforma e um plano de ação que sejam
o resultado dos encontros realizados pelas organizações
de habitantes nos bairros populares e no campus universitário,
no FSM de Dacar, para concretizar a solidariedade na luta contra violações
de direitos cujas causas se repetem no mundo inteiro.
Em
Dacar, dia 10 de fevereiro de 2011, assinam este compromisso:
Redes
internacionais:
" Aliança Internacional dos Habitantes (AIH)
" Coalizão International do Habitat (HIC)
" Comitês Promotores da Assembleia Mundial de Habitantes
Internacionais
" Comitês Promotores da Assembleia Mundial de Habitantes
Regionais
" LOCOA - Líderes e Organizadores de Organização
Comunitária na Ásia
" No-Vox
Organizações
de habitantes locais e nacionais:
" ACIDAK Associação Comitê Interbidonville
(Dacar, Senegal)
" AHTB, Associação dos Habitantes e Trabalhadores
de Baraka (Dacar, Senegal)
" Centro Amandla do Zimbábue (Zimbábue)
" Assembleia para Acabar com a Pobreza (EUA)
" O Direito a Cidade (Hungria)
" CAES (Paraguai)
" CDV (México)
" CHRA (Zimbábue)
" CISRS, Forum Nacional para os Pobres Urbanos (Índia)
" Coletivo para o Desenvolvimento do Peru de Vila María
del Triunfo (Peru)
" Comitê de Gestão das Inundações e
Expulsões de Médina Goumass(Guédiawaye, Senegal)
" Comitês Promotores Nacionais da Assembleia Mundial de Habitantes
Nacionais
" CONAM (Brasil)
" CONAPAMAG (Guatemala)
" Coordenação dos Investidores Ludibriados (Rússia)
" Coophabitat (República Dominicana)
" Cooperativa de reciclagem de Villa 31 (Argentina)
" Cooperativa Coralli (Itália)
" COORDENADORA DE COLÔNIAS UNIDAS (México)
" DAL, Direito à Moradia (França)
" EMAD, Aliança dos Movimentos e Associações
de Desenvolvimento (Dacar, Senegal)
" Famemg - Minas Gerais (Brasil)
" FBFF - Ceará (Brasil)
" FEDEVI (Argentina)
" Federação de Cooperativas Todos Juntos (Argentina)
" FOVELIC (Peru)
" GIU (Peru)
" Grupo Portorriquenho de Solidariedade com a Infância Dominico-Haitiana
CPNDH (Porto Rico)
" Movimento And Soukali Médina Goumars (Dacar, Senegal)
" Movimento Nuevo Encuentro (Argentina)
" Sindicato Nacional dos Moradores (Nigéria)
" Omunga (Angola)
" POHDH (Haiti)
" PPEHRC (EUA)
" PROUD e Forum Nacional para os Pobres Urbanos (Índia)
" Rede Metropolitana Inquilinos (Venezuela)
" RNHC (Camarões)
" Abrigo para os Pobres (Bangladesh)
" Thames Valley Gypsy Council (Reino Unido)
" Sindicato dos Moradores (Rússia)
" Cooperativa de Habitação Tonderai Ndira (Zimbábue)
" UCISV-Ver (México)
" Unione Inquilini (Itália)
" UNION POPULAR VALLE GOMEZ, D.F. (México)
" Aliança de Habitantes EUA/Canadá (USACAI)
" Programa de Governança Jovem e do Meio Ambiente (Quênia)
Apoio:
" ABONG, Associação Brasileira de ONGs
" AITEC, Associação Internacional dos Técnicos
e Pesquisadores (França)
" ALOP, Associação Latino-americana de Organizações
de Promoção
" CENCA (Peru)
" CERPAC, Centro de Pesquisa Popular para a Ação
Cidadã (Senegal)
" ENDA-Economia Popular (Senegal)
" ENDA-Movimento para o Desenvolvimento Urbano Participativo (Senegal)
" FAL, Forum das Autoridades Locais
" Handicap Internacional
" Intermondes (Senegal)
" Plataforma DESC Senegal - RADI
" WISEEP (Gana)

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