|
Enviada
02/06/2008
10º
Congresso da CONAM - Resoluções
CONJUNTURA
INTERNACIONAL
1) O processo de globalização esta cada mais presente
nas nossas vidas, os acontecimentos políticos internacionais
têm reflexos no nosso país e o movimento comunitário,
através da CONAM, das Federações Estaduais e Municipais
têm acompanhado e se posicionado frente a esses fatos.
2) Denunciamos as conseqüências da aplicação
da política neoliberal no mundo, que foi marcada por disputas
internacionais na busca do fortalecimento de paises como os EUA e seus
aliados, que se consideram donos do mundo e declaram como "inimigos"
todos aqueles que se contrapõem aos seus interesses. A atual
crise econômica norte americana, causada pela forma em que o sistema
de hipotecas de imóveis é feito, demonstra que nem os
EUA conseguiram resolver os seus próprios problemas, apesar das
inúmeras guerras que realizaram na busca da dominação
de outros países.
3) Na Europa, no último período tem ocorrido cada vez
mais o desmoronamento do "estado de bem estar social", numa
tentativa de implementar uma política de "estado mínimo",
retirando direitos conquistados como a seguridade social, direitos trabalhistas,
redução dos investimentos públicos em políticas
sociais, privatizações e diminuição do papel
do estado no controle e fiscalização do mercado.
4) No continente Africano, verificamos a existência de um genocídio,
onde milhões de africanos morrem por falta de recursos para investimentos
nos tratamentos da AIDS, da desnutrição infantil e de
doenças causadas pela falta de saneamento básico, enquanto
os recursos para pagamento de dividas com o Banco Mundial são
garantidos.
5) Sofremos as conseqüências da aplicação
neoliberal através das políticas econômicas que
beneficiam os grandes bancos, através da propaganda contra os
estados soberanos, do sucateamento dos serviços públicos
e das empresas estatais com o objetivo de tratar serviços essenciais
como saúde, educação, saneamento, energia, entre
outros, como mercadorias.
6) Porém, esse modelo enfrentou e ainda enfrenta resistência
de um conjunto de forças progressistas em todo o mundo. Destaca-se
a importância da realização dos Fóruns Sociais
Mundiais, realizados em diversas partes do mundo desde 2000, onde os
movimentos sociais passaram a se articular na luta pela construção
de um outro mundo e colocar em cheque o discurso de pensamento único
neoliberal. A CONAM esteve presente em todos os FSM e nos Fóruns
Sociais Brasileiros, pois compreende que este é um importante
espaço de debate e construção de uma agenda unificada
de luta e resistência.
7) Na América Latina, fruto da luta dos povos, as vitórias
eleitorais representam um novo período histórico da luta
política, não só nesta região, mas em todo
o mundo. Cabe a todos os setores progressistas e populares ter essa
compreensão e defender a soberania desses paises. Os processos
de condenação de diversos ditadores e aliados dos EUA
como Pinochet e Fujimore assim como os julgamentos dos torturadores
do período militar na Argentina, também representam uma
derrota das forças atrasadas e conservadoras.
8) Na América Latina, fruto da luta e da resistência dos
povos, as vitórias eleitorais do último período
de Chaves na Venezuela, Néstor e Cristina Kirchner na Argentina,
de Evo Moralles na Bolívia, de Rafael Garcia no Equador, de Tabaré
Vasquez no Uruguai, Daniel Ortega na Nicarágua e de Lula no Brasil,
9) No Brasil, após a eleição de Lula houve uma
grande mudança na política exterior, os interesses nacionais
passaram a ter maior importância e a soberania nacional passou
a ser defendida. A derrota da ALCA (Área de Livre Comercio das
Américas), através de uma grande campanha realizada desde
2001, representou uma vitória do povo latino americano, a CONAM
foi uma das entidades que fez parte dessa luta.
10) O movimento comunitário tem participado dessas lutas de
resistência se articulando na América Latina através
da Aliança Internacional dos Habitantes (AIH) e da Frente Continental
de Organizações Comunitárias (FCOC). A realização
em 2006 do X Encontro da FCOC no Brasil foi um importante momento para
a CONAM reafirmar seu compromisso em denunciar a política neoliberal
e a necessidade da construção de uma outra alternativa,
além da necessidade de fortalecimento destas organizações
que articulam nossa ação no continente e no mundo.
CONJUNTURA NACIONAL
11) A CONAM ao longo da sua história sempre esteve presente
nas lutas pelo crescimento econômico, pela nossa soberania, por
um amplo processo de reforma urbana, pela garantia e ampliação
dos direitos sociais e o fortalecimento da democracia. Sempre debateu
com a base do movimento comunitário a importância de elevarmos
a nossa compreensão sobre a conjuntura e aumentar a nossa participação
política para interferir nos rumos no país.
12) A reeleição de Lula representou uma grande vitória
dos trabalhadores e trabalhadoras que lutaram por um país soberano,
desenvolvido e com melhor distribuição de riqueza, derrotando
o campo vinculado aos interesses estrangeiros, banqueiros e a elite
conservadora, que se aliou a grande mídia.
13) Mesmo enfraquecidos, as forças conservadoras buscam retomar
seus espaços chegando a ponto de em 2005 tentarem um golpe para
encerrar o Governo Lula. A CMS - Coordenação dos Movimentos
Sociais, com a participação da CONAM, foi às ruas
e realizou em agosto uma marcha a Brasília junto com outras entidades
do campo democrático popular. Esse foi um dos momentos importantes
de fortalecimento da CMS, que representa uma experiência avançada
do povo brasileiro e de suas organizações na luta pela
soberania nacional, pelo crescimento econômico, melhoria na qualidade
de vida através da valorização do trabalho e da
garantia dos direitos do povo brasileiro da cidade e do campo.
14) Outro momento em que o campo conservador se mobilizou para derrotar
o Governo Lula, foi quando o Senado reprovou a proposta de manutenção
da CPFM - Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira, o que significa corte na verba destinada principalmente
à saúde e assistência social. E aprovou a DRU -
Desvinculação de Recursos da União, que joga 20%
de todas as receitas do Governo Federal para o pagamento de juros da
divida, ajudando a girar o mercado financeiro em detrimento das necessidades
da população. Permanecendo a pratica de dificultar a participação
popular e um processo transparente de debate sobre o orçamento
da União.
15) O segundo mandato do Presidente Lula tem representado um avanço
em questões como: o crescimento da economia de mais de 5% em
2007; a queda do desemprego, com a criação de 1 milhão
936 mil empregos com carteira assinada de janeiro a novembro; a aprovação
do Fundeb - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação,
e a criação do PDE - Plano de Desenvolvimento da Educação;
aprovação da Lei 11.445 que criou a regulamentação
da política de saneamento; a garantia do acesso direto as organizações
sociais aos recursos do FNHIS - Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social; a aprovação da tarifa social para
os serviços de energia elétrica, pela Câmara dos
Deputados; o fortalecimento da participação social através
das inúmeras Conferencias realizadas pelo Governo, que reuniram
mais de 3 milhões de pessoas; a retirada dos valores gastos com
investimentos no saneamento do calculo do superávit; o lançamento
do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, que recolocou
na agenda do Governo a pauta do desenvolvimento, entre outras questões
que apontam avanços e conquistas.
16) Os processos de Conferências que já reuniram mais
de 3 milhões de participantes em diversas conferências
temáticas nacionais tem sido um importante instrumento de participação
popular e democracia direta. Porém, ainda há uma dificuldade
concreta de discutir o orçamento da União de forma mais
transparente e com participação popular, para que não
fique sob o comando dos banqueiros que determinam as taxas de juros
e os superávits fiscais com o sacrifício do povo. Ampliar
a luta em defesa da democratização do Estado é
uma tarefa intransferível e inadiável.
17) Porém, ainda temos muito que avançar e conquistar,
para isso é necessária à realização
de um conjunto de reformas estruturais como a da educação,
a agrária, a urbana, a política e a tributaria para construirmos
as bases para o desenvolvimento sustentável do Brasil, ampliar
os investimentos que permitam desenvolver a economia nacional, gerando
mais empregos, distribuição de renda, universalização
dos direitos sociais e a melhoria nas condições de vida
do nosso povo. Soma-se a luta por estas reformas, a necessidade da democratização
dos meios de comunicação.
18) É urgente o enfrentamento dos problemas ambientais de forma
conseqüente com a construção de uma política
nacional de meio ambiente que trate do desenvolvimento sustentável,
sem que isso signifique impedir que o País se desenvolva.
19) O movimento comunitário junto com os demais movimentos sociais
precisa somar esforços para a implementação destas
mudanças, pois elas só ocorrerão através
da luta política e social, ajudando na construção
dos avanços.
A REFORMA URBANA NO CENTRO DA PAUTA POLÍTICA
20) Ao longo de décadas o poder publico no Brasil não
tratou a questão do desenvolvimento urbano de forma correta.
Primeiro privilegiando os interesses da especulação imobiliária
em detrimento dos interesses públicos. Com isso, o planejamento
não previa a integração das políticas de
habitação popular, do saneamento, do transporte e de uma
ocupação territorial que garantisse a todo o conjunto
da população, crescentemente urbana, os serviços
necessários como saúde, educação, convívio
cultural e de lazer.
21) Hoje mais de 84% da população brasileira vivem em
regiões urbanas, segundo dados do IBGE. As metrópoles
e grandes cidades brasileiras tiveram em suas construções
duas formas distintas: de um lado a cidade oficial onde moram os setores
mais privilegiados, onde a moradia tem ao seu lado toda a infra-estrutura
necessária e onde o estado está presente a cada esquina.
De outro lado a cidade construída sem apoio do poder público
em áreas muitas vezes de risco onde falta de moradia em condições
seguras sem saneamento básico, sem transporte com qualidade e
preço acessível, em favelas e ocupações
sem infra-estrutura de saúde, educação, de cultura
e convívio coletivo é um retrato vivo dessa realidade.
22) Esse quadro acrescido da baixa condição econômica
e do desemprego tem como conseqüência a falta de possibilidades
e perspectivas principalmente para nossa juventude que se torna alvo
fácil da violência e do crime organizado.
23) As favelas e os bairros populares ganham visibilidade na grande
maioria das vezes na página policial. O que a grande mídia
não mostra é o porquê se chega a essa situação
que é a ausência do estado na garantia dos direitos mínimos
da população.
24) Já na década de 70 o movimento de favelas iniciou
a luta pela Reforma Urbana que foi ganhando força e agregou o
movimento comunitário, a academia e categoria de trabalhadores
(urbanitários, de transporte e da construção civil)
que juntos articularam a criação do Fórum Nacional
de Reforma Urbana que foi muito importante na elaboração
e aprovação do Estatuto das Cidades e na coleta de um
milhão de assinaturas para a criação do Conselho
e Fundo Nacional por Moradia Popular.
25) Com a vitória de Lula em 2002 o movimento pela reforma urbana
teve atendida uma antiga reivindicação que foi a criação
do Ministério das Cidades, que tem como objetivo a integração
das políticas e a elaboração de políticas
urbanas co a participação popular materializada na constituição
da Conferência que já teve 3 edições e do
Conselho das Cidades. Com os investimentos do PAC em habitação
em saneamento chegado à previsão de R$ 140 bilhões
entre 2008 e 2011, ganha força essa luta.
26) O movimento comunitário deve continuar lutando pela Reforma
Urbana que garanta a construção de cidades onde a população
tenha acesso universal aos serviços e equipamentos sociais, com
participação popular na elaboração dessas
políticas e que inverta essa atual situação.
O MOVIMENTO COMUNITÁRIO NA LUTA DO POVO
27) Fortaleceu-se a relação concreta com as Federações
Estaduais e Municipais, alcançou em todos os estados brasileiros
essa inserção e contribuiu para orientar e mobilizar o
movimento comunitário em vários momentos importantes.
Exemplos mais recentes desse crescimento foram: a jornada de lutas própria
da CONAM, realizada no primeiro semestre de 2007; a jornada de lutas
do FNRU no segundo semestre também de 2007; a participação
na 13ª. Conferencia Nacional de Saúde, na 3ª. Conferencia
Nacional das Cidades e na organização da 3ª Conferência
Nacional de Meio Ambiente.
28) Nesse período cresceu a articulação internacional
do movimento comunitário brasileiro. Participamos de todas as
edições do Fórum Social Mundial, fortalecemos nossa
relação com a Aliança Internacional dos Habitantes
(AIH) através da campanha Despejos Zero e na América a
o fortalecimento da Frente Continental de Organizações
Comunitárias (FCOC) tem sido um compromisso e desafio.
29) A implementação de projetos em parceria com o Governo
Federal também merece destaque por contribuir na ampliação
da participação da população nos programas
de Governo como: o Segundo Tempo do Ministério do Esporte, que
promove a inclusão social às crianças e adolescente
através da pratica esportiva; em parceria com o Ministério
da Cultura a Mostra Popular e Comunitária de Cinema nos Estados
de SP RS, BA e PA promovendo a divulgação e valorização
do cinema nacional; as oficinas de capacitação de lideranças
comunitária no controle e fortalecimento do SUS com apoio do
Ministério da Saúde; as oficinas de capacitação
para o processo de mobilização da 3ª. Conferencia
Nacional das Cidades com apoio do Ministério das Cidades e a
articulação das federações filiadas na execução
do Programa Crédito Solidário.
30) Ampliamos nossa participação no Conselho das Cidades
tendo hoje uma bancada de 8 titulares e 7 suplentes e após um
processo de eleição mantivemos nossa presença no
Conselho Nacional de Saúde com 1 titular e 2 suplentes. Nossos
representantes, nesses conselhos, têm jogado papel destacado na
defesa das políticas públicas.
31) No âmbito das instâncias de direção da
CONAM, o CONEA - Conselho Nacional de Entidades Associadas se fortaleceu
e cumpriu seu papel de contribuir na direção da base do
movimento e de traçar os rumos políticos da entidade.
A diretoria demonstrou unidade na elaboração e implementação
da política da CONAM e a diretoria executiva tem cumprido o seu
papel de entre uma reunião e outra da diretoria conduzir e executar
as orientações traçadas pelas instancias deliberativas
da entidade. A realização dos encontros regionais da CONAM
também foi um momento importante de aproximação
com a base do nosso movimento e articulação das ações
com as Federações Estaduais.
CONAM: INSTRUMENTO DE FORTALECIMENTO DO MOVIMENTO COMUNITÁRIO
32) A CONAM tem ampliado sua inserção no cenário
nacional, resultado da unidade em sua direção, da defesa
do movimento comunitário unido, plural, democrático e
autônomo, do esforço em construir uma ampla base de lideranças
conscientes e combativas, da participação em espaços
institucionais como conselhos de elaboração de políticas
públicas, da consolidação da relação
com as Federações Estaduais, ampliação da
sua base de atuação e aplicação de uma política
conseqüente.
33) O movimento comunitário, através da CONAM tem tido
presença em todas as importantes lutas e conquistas do povo brasileiro
como a criação do SUS, a aprovação do Estatuto
das Cidades, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a criação
do Ministério das Cidades, do Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social, a defesa da soberania nacional, entre outras conquistas
fruto da mobilização popular.
34) A CONAM tem jogado importante papel na elevação da
compreensão e participação política da base
do nosso movimento, o que tem resultado no crescimento do numero de
lideranças comprometidas com a construção dessa
história de luta. Consideramos que este esforço deve ser
permanente fazendo com que tenhamos presença nas grandes lutas
políticas.
35) Em âmbito nacional temos participado ativamente da Coordenação
dos Movimentos Sociais (CMS), compondo a coordenação operativa.
Porém ainda precisamos avançar no desafio de construir
a CMS nos estados.
36) Outra articulação que participamos com destaque é
o Fórum Nacional de Reforma Urbana que reúne vários
setores que atuam na luta pela Reforma Urbana onde a CONAM e os movimentos
populares jogam papel nas mobilizações que aconteceram
nesses últimos anos.
37) Como em todos os congressos anteriores, o 10º Congresso deverá
aprovar uma plataforma de lutas que contenha do ponto de vista das lutas
políticas e sociais aquilo que será alvo de atuação
prioritária das entidades filiadas para o próximo período
de 2008 a 2011.
Nesse sentido apresentamos a seguinte plataforma:
38) CONJUNTURA INTERNACIONAL
a) Lutar pelo fim dos acordos neoliberais com o FMI e Banco Mundial,
que prejudica o desenvolvimento e a soberania dos países.
b) Fortalecer e ampliar a luta contra o imperialismo dos EUA e suas
guerras, de forma ampla e unificada através da Assembléia
Mundial dos Movimentos Sociais, realizadas durante o Fórum Social
Mundial e de campanhas pela paz.
c) Fortalecer e ampliar as articulações, fóruns
e eventos internacionais no sentido de unificar a luta urbana contra
o neoliberalismo, como por exemplo, as lutas e mobilizações
da Aliança Internacional dos Habitantes (AIH), especialmente
a campanha "Despejo Zero".
d) Continuar atuando na luta pela integração dos povos
da América Latina e fortalecer e ampliar a FCOC -Frente Continental
de Organizações Comunitárias nessa articulação.
e) Apoio à política externa do Governo Federal que busca
fortalecer e ampliar a soberania nacional, a integração
da América Latina e dos paises em desenvolvimento.
39) CONJUNTURA NACIONAL
a) Fortalecer a CMS reproduzindo essa articulação também
nos estados e construir agendas comuns que possibilitem pautar o governo
para as mudanças.
b) Combater a política de superávit primário e
juros altos.
c) Lutar pela reforma política, democrática com participação
popular.
d) Apoiar a luta pela reforma agrária.
e) Lutar por uma reforma tributária que promova distribuição
de renda e justiça social.
f) Lutar por uma reforma educacional que universalize a educação
pública de qualidade.
g) Lutar Reforma Urbana que garanta o papel social da propriedade, como
prevê o Estatuto das Cidades, e garanta melhorias na qualidade
de vida da população.
h) Lutar pela democratização dos meios de comunicação.
i) Lutar contra todo e qualquer tipo de discriminação
(gênero, raça, etnia, opção religiosa e sexual).
j) Fortalecer a nossa participação nos fóruns de
articulações das lutas sociais como o Fórum Nacional
de Reforma Urbana, o Movimento pelo Direito ao Transporte, Fórum
Brasil de Orçamento, Fórum Nacional de Saneamento Ambiental,
Campanha Nacional Pelo Direito à Educação entre
outros.
k) Apoio ao PAC como instrumento de desenvolvimento econômico
com ampliação dos recursos do OGU principalmente nos itens
de habitação, transporte público e saneamento,
garantindo que o PAC alcance seus principais objetivos na infra-estrutura
urbana, contribuindo para o crescimento econômico, geração
de emprego, distribuição de renda e universalização
de direitos sociais.
l) Lutar pela anistia das associações de moradores e entidade
comunitárias, sem fins lucrativos junto a Receita Federal e pela
isenção de taxas cartoriais no registro de atas e estatutos.
m) A partir das resoluções do 10ª. Congresso, elaborar
Plataformas Municipais e promover debate com os candidatos (as) à
Prefeito (as) e Vereadores (as) nos municípios.
n) Apoiar a luta pela Reforma Agrária.
40) FORTALECIMENTO DO MOVIMENTO COMUNITÁRIO E DA CONAM
a) Fortalecer cada vez mais a concepção de construir um
movimento comunitário combativo e de luta.
b) Ampliar o papel da CONAM e do Movimento Comunitário nas grandes
lutas políticas fortalecendo cada vez mais o papel do movimento
e suas bandeiras no cenário político.
c) Construir jornadas próprias de lutas do movimento comunitário,
sem prejuízo das articulações com a CMS, com o
FNRU e demais articulações das quais a CONAM participa.
d) Ampliar e fortalecer a relação com as Federações
Estaduais e com a base do movimento.
e) Ampliar a parceria da CONAM na execução de programas
sociais como instrumento de inclusão social e mobilização
popular.
f) Aumentar as atividades de qualificação e formação
de lideranças comunitárias.
g) Construir políticas de finanças para a CONAM e o movimento
comunitário, como instrumento de fortalecimento material e organizativo
do movimento.
h) Ampliar a participação da CONAM nos Conselhos Nacionais
de Políticas Públicas.
REFORMA URBANA JÁ
41) REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA
a) Mobilizar a base do movimento comunitário na defesa de uma
reforma urbana que garanta o papel social da propriedade, como prevê
o Estatuto das Cidades e melhorias na qualidade de vida da população.
b) Lutar pela criação do Sistema Nacional das Cidades,
através de Lei especifica que transformem em instâncias
deliberativas as Conferencias e Conselhos das Cidades nos âmbitos
federal, estadual e municipal.
c) Participar da implementação dos Planos Diretores Participativos.
d) Lutar pela utilização de imóveis da União
sem utilização para fins de Habitação de
Interesse Social.
e) Realizar uma ampla campanha pelo de denuncia e fim dos despejos.
f) Lutar pelo controle social através do Conselho Nacional das
Cidades e do CGFNHIS dos recursos para habitação, saneamento
e mobilidade e transporte, e pela definição de prioridades
de aplicação dos recursos do PAC nessas áreas.
g) Lutar e mobilizar o movimento comunitário em defesa do Estatuto
das Cidades, para que se garanta o papel social da propriedade e melhores
condições de vida da população.
42) HABITAÇÃO
a) Ampliar a mobilização pela ampliação
dos recursos destinados ao FNHIS, tendendo assim a população
que ganha de 0 a 3 salários.
b) Cobrar do Governo a imediata regulamentação da lei
de acesso das entidades e movimentos populares aos recursos do FNHIS
para programas habitacionais.
c) Mobilizar o movimento comunitário para a ampliação
do Programa de Crédito Solidário e desburocratização
dos programas da CEF.
d) Lutar pela Campanha Nacional de Moradia com Digna.
43) SANEAMENTO
a) Fortalecer a luta pela Universalização do Acesso ao
Saneamento Ambiental e pela participação democrática
na gestão dos planos municipais de saneamento ambiental, com
cumprimento dos prazos, conforme resolução aprovada pelo
Conselho Nacional das Cidades.
b) Travar de forma permanente a luta e denuncia de todas as formas e
tentativas de privatização do setor.
c) Cobrar do Governo maior agilidade na regulamentação
e implementação da lei 11.445/07 que atualiza o marco
regulatório do saneamento básico;
d) Definição quanto à titularidade dos serviços
de saneamento, hoje em processo de julgamento no Supremo.
e) Fortalecer a articulação da Frente Nacional Pelo Saneamento
Ambiental.
44) TRÂNSITO, TRANSPORTE E MOBILIDADE URBANA
a) Lutar por uma política metro-ferroviária nas regiões
metropolitanas do País e o desenvolvimento de programas de incentivo
aos meios de transportes não poluentes, em especial de bicicletas,
inclusive com recursos do PAC.
b) Mobilizar o movimento comunitário para a luta pelo barateamento
das tarifas através da redução pelo governo federal
do preço do óleo diesel, da energia elétrica e
das altas taxas de lucros das empresas e que seja vetado qualquer repasse
de subsídio aos usuários de automóveis.
c) Lutar pela conquista de recursos permanentes para a mobilidade através
dos os recursos da CIDE (tributo federal cobrado sobre os combustíveis)
e que os sejam destinados à infra-estrutura do transporte público
urbano nas proporções de 25% (governo federal) e 50% (governos
estaduais);
d) Lutar pela criação de fundos permanentes que garantam
o passe livre aos estudantes da rede pública, aos desempregados,
aos deficientes físicos e idosos;
e) Debater no Conselho das Cidades e demais órgãos a criação
por parte dos governos federal e estadual de programas permanentes de
"Paz e Educação no Trânsito", Conforme
previsto na Lei Nacional de Trânsito e na Lei de Diretrizes e
Base da Educação visando combater a violência no
trânsito e lutar pela liberação dos recursos contingenciados
(cerca de 500 milhões) do Fundo Nacional de Segurança
no Trânsito (FUNSET).
f) Lutar por investimentos no sistema hidroviário de transporte
que é no Brasil, uma importante alternativa, especialmente nas
grandes bacias hidrográficas.
g) Apoiar e participar da luta pelo fim da dupla função
do (a) motorista do transporte coletivo e garantir a permanência
do trabalhador (a) com a função de cobrador (a).
45) FORTALECIMENTO DO SUS
a) Fortalecer a mobilização pela regulamentação
da EC 29.
b) Lutar pelo fortalecimento das políticas intersetoriais que
promovam saúde pública e qualidade de vida.
c) Lutar pelo fortalecimento da Atenção Básica
através do PSF totalmente integrado ao SUS.
d) Lutar pela implementação das políticas de atenção
básica de forma coesa e não compartimentada.
e) Lutar pelo fortalecimento dos serviços ambulatoriais, de exames
e procedimentos de média complexidade.
f) Lutar pela aplicação da política de planejamento
familiar.
g) Apoio a descriminalização do aborto e à garantia
do atendimento das mulheres no SUS.
h) Apoio à quebra de patentes, quando a mesma representar ameaça
a saúde pública e a soberania nacional.
i) Contribuir no debate e acompanhamento do PACTO junto à sociedade
civil e ao movimento comunitário.
j) Não as Fundações de Saúde e Consórcios.
k) Implementação permanente de Programa Nacional de Combate
à Dengue.
46) EDUCAÇÃO PARA TODOS
a) Lutar por uma política educacional com qualidade e equidade.
b) Lutar pela universalização e garantia do Direito à
Educação Infantil, Básica, Ensino Médio
e ao Ensino Superior.
c) Lutar pela aplicação da lei que inclui Sociologia e
Filosofia no currículo escolar.
d) Lutar pela implementação do Passe estudantil como garantia
do acesso à educação.
e) Lutar pela reserva de vagas para a escola pública no acesso
às universidades.
f) Incentivar a atuação da sociedade civil nos conselhos
de fiscalização do FUNDEB e CAE (Conselho de Alimentação
Escolar), garantindo assim o controle social e a aplicação
das verbas destinadas à educação.
g) Lutar pela erradicação do analfabetismo através
da ampliação dos programas de alfabetização
de jovens e adultos;
h) Lutar por mudanças nos critérios de composição
do Conselho Nacional de Educação.
i) Lutar pela realização de processos de Conferências
de Educação, em todos os níveis, com ampla participação
popular e incentivar a participação comunitária
na construção dos planos municipais de educação.
j) Apoiar a organização de pais e alunos nas escolas públicas,
incentivando sua participação através das associações
de moradores e / ou entidades afins.
47) CULTURA
a) Lutar pela ampliação dos pontos de cultura em parceria
com entidades comunitárias.
b) Lutar pela ampliação dos projetos de "Mostra Popular
e Comunitária de Cinema".
c) Lutar pela ampliação do Programa de Bibliotecas Comunitárias.
d) Lutar pela construção de Centros Culturais em conjuntos
habitacionais e bairros periféricos.
e) Lutar pela democratização do acesso à Cultura.
f) Divulgar e potencializar as ações que visam o fortalecimento
da Cultura Popular, ampliando os Pontos de Cultura.
g) Acrescentar projetos: criação de núcleos de
produção artística, cultural comunitária
de cinema e vídeo. Criação de mostras e festivais
de cinema comunitário, dança, teatro, música e
literatura.
48) COMBATE A FOME E SEGURANÇA ALIMENTAR
a) Lutar por uma política de Segurança Alimentar soberana,
desenvolvimentista e universalizada.
b) Lutar por uma maior participação das entidades filiadas
a CONAM no Programa de Agricultura Urbana e Peri-urbana.
c) Lutar pela integração do Programa FOME ZERO com programas
de saúde, saneamento, educação, esporte e cultura
entre outros.
d) Lutar pela ampliação do controle social na distribuição
dos Programas Sociais como instrumento de combate à corrupção.
e) Garantia da aplicação da LOAS (Lei Orgânica de
Assistência Social) em todos os municípios, a implementação
do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e a garantia
de fiscalização pelos conselhos.
f) Buscar participação e inserção da CONAM
no CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional)
49) CIÊNCIA E TECNOLOGIA
a) Lutar por uma maior destinação de recursos para programas
científicos e tecnológicos para a rede de ensino público
do nosso País.
b) Lutar por um programa de inclusão cientifica e tecnológica
população de baixa renda que está fora do sistema
de ensino público.
c) Lutar por programas de inclusão digital na periferia das cidades
em parceria com o movimento comunitário.
50) DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
a) Lutar pela ampliação da rede pública e educativa
de rádio e televisão e que as produções
independentes sejam incluídas na tv pública.
b) Apoiar a criação de jornais, rádios e TV's comunitárias.
c) Lutar pela ampliação do raio de alcance e do teto de
patrocínio das mesmas.
d) Exigir do Ministério da Justiça o fim do processo de
perseguição às rádios comunitárias.
e) Mobilizar e participar da Conferencia Nacional sobre Comunicação,
com participação da sociedade civil e dos movimentos sociais.
f) Lutar pela criação de ouvidorias com autonomia própria.
51) ESPORTE LAZER E CULTURA
a) Lutar por uma política universalizante que garanta acesso
ao esporte e ao lazer como instrumento de promoção à
saúde.
b) Fortalecer e mobilizar o movimento comunitário a participar
dos processos de Conferências de Esporte.
c) Lutar pela ampliação da participação
popular no Conselho de Esporte e Lazer.
d) Lutar pela ampliação do Programa 2º Tempo junto
às entidades populares e comunitárias.
e) Lutar pela ampliação da participação
das entidades populares e comunitárias no programa de Esporte
e Lazer na Cidade.
f) Buscar realização da Copa Comunitária de futebol
masculino e feminino e Olimpíadas Comunitárias em nível
nacional.
52) GERAÇÃO DE EMPREGO E DISTRIBUIÇÃO
DE RENDA
a) Lutar pela aplicação de políticas que garantam
geração de emprego, melhoria salarial, diminuição
da informalidade, combate ao trabalho escravo e ao trabalho infanto
juvenil.
b) Lutar para que as ações do PAC contribuam com a geração
de emprego e distribuição de renda, criando núcleos
de formação profissional nas áreas atendidas em
parceria com as associações de moradores locais.
c) Lutar pelo crescimento nominal / real do salário mínimo.
d) Lutar pela redução da jornada de trabalho sem redução
de salários. Regulamentação das horas extras.
e) Apoio ao veto à emenda 3.
f) Lutar pela distribuição de Vale Transporte para os
desempregados.
g) Lutar por uma política de equiparação salarial
e valorização do trabalho das mulheres e negros (as).
h) Lutar por uma política de incentivo ao primeiro emprego para
a juventude.
i) Lutar pela realização de programas de capacitação
profissional em parceria com entidades comunitárias, junto à
população carente na periferia das cidades: Escolas técnicas
públicas / empresas.
j) Lutar contra a reforma da previdência e trabalhistas que visão
tirar os direitos dos trabalhadores.
k) Lutar pela potencialização das experiências das
associações de moradores no trabalho com a economia solidária.
l) Apoiar as iniciativas das entidades filiadas na criação
de cooperativas de reciclagem.
m) Ampliação da rede periférica de pólos
de trabalho, para que se tornem mais próximo s do público
alvo e impulsionar arranjos produtivos locais (redes) regionais e nacionais.
n) Lutar pela ampliação de novas empresas em bairros.
o) Lutar para que as pessoas a partir de 40 anos não sejam discriminadas
no mercado de trabalho.
53) DIREITO Á ENERGIA
a) Fortalecer o Debate e a mobilização pelo direito a
Energia.
b) Pressionar no Senado a aprovação do projeto de Lei
da Tarifa Social de Energia Elétrica.
c) Lutar para garantir o equilíbrio entre o necessário
desenvolvimento e produção de energia com as preocupações
ambientais e a qualidade da água no Brasil.
d) Lutar pela participação das Entidades dos Movimentos
Populares no comitê de Monitoramento do Setor Elétrico,
criado pela Lei nº. 10.848, com função de acompanhar
e avaliar permanentemente a continuidade e segurança do suprimento
eletro energético no território nacional.
54) POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS MULHERES
a) Buscar parcerias entre a CONAM e órgãos públicos
na implementação de projetos que possibilite a geração
de emprego e renda, projetos de capacitação voltados às
mulheres chefes de família de baixa renda.
b) Reivindicar que a Secretaria de Políticas Púbicas para
as Mulheres trabalhe junto ao Ministério das Cidades / CONCIDADES,
projeto de Lei que destine prioritariamente para as mulheres o titulo
de propriedade das unidades habitacionais de interesse social.
c) Lutar pela obrigatoriedade de construção de equipamentos
sociais, como lavanderias e creches, bem como de programas de geração
de renda em todos os conjuntos habitacionais do Credito Solidário
e demais conjuntos habitacionais produzidos com recursos do FNHIS.
d) Lutar para que a Secretaria de Políticas Púbicas para
as Mulheres junto com o MEC implantarem o programa de educação
voltado para garantir as condições de volta a escola para
mulheres chefes de famílias e de baixa renda, do ensino fundamental
até o ensino superior.
e) Lutar para que as resoluções da 1ª Conferência
Nacional das Mulheres sobre o aborto sejam implementadas, avançando
na sua descriminalização como uma questão de saúde
publica.
f) Valorizar e criar as condições para que as mulheres
ocupem mais os espaços de participação e decisão
política nos Conselhos Nacionais, contribuindo no avanço
da participação política das mulheres.
g) Lutar pela ampliação do numero de delegacias da mulher,
principalmente nos bairros mais carentes com funcionamento 24 horas.
h) Lutar pela implementação da política de saúde
para as mulheres aprovada no Conselho Nacional de Saúde.
i) Lutar junto aos entes federados pelo cumprimento do Pacto Nacional
pela redução da mortalidade materna.
j) Lutar pela equiparação salarial desenvolvida nas mesmas
funções entre homens e mulheres.
k) Realizar o segundo encontro de mulheres da CONAM.
l) Parceria entre o governo nas três esferas junto às entidades
para divulgação da Lei Maria da Penha.
55) NÃO Á DISCRIMINAÇÃO E O PRECONCEITO
a) Lutar contra todo e qualquer tipo de descriminação
(econômica, social, de nível educacional, gênero,
raça, etnia, opção religiosa e sexual).
b) Apoiar os movimentos que combatem as formas de descriminação
e preconceito nas lutas e ações afirmativas.
56) COMBATE A VIOLENCIA
a) Lutar por uma política de segurança pública
que não tenha como prioridade a violência do estado para
com os trabalhadores.
b) Exigir que o combate ao crime organizado tenha como principal alvo
os grandes investidores das organizações criminosas, na
maioria das vezes no sistema financeiro, judiciário e empresarial.
c) Lutar contra o sistema prisional que não recupera o detento.
d) Lutar contra a violência familiar e doméstica.
e) Lutar contra a violência à criança e ao adolescente.
f) Lutar para garantir que o tratamento a dependentes químicos
seja realizado pelo SUS e em todos os municípios.
g) Lutar pela criação de projetos que dêem suporte
às famílias e jovens que cumprem medidas sócio
educativas que permitam a integração destes jovens a sociedade,
evitando que voltem ao crime.
h) Lutar pela ampliação do atendimento feito pela Defensoria
Pública.
57) MEIO AMBIENTE
a) A CONAM deve aprofundar o debate e aumentar as políticas de
educação ambiental, juntamente com suas filiadas.
b) Que se tenha transversalidade nas discussões das pautas de
luta da CONAM, levando em conta a questão ambiental.
c) Construção de Seminário da CONAM para aprofundar
a nossa opinião em temas polêmicos, envolvendo as filiadas
nesse processo.
d) Que a CONAM e suas filiadas debatam o impacto ambiental dos resíduos
sólidos, lixos tóxicos e outros, construindo uma opinião
e dando alternativas para minimizar o impacto deste problema.
e) Que a CONAM debata os biomas brasileiros e suas características
- Pampa, Serrado, Pantanal, Amazônico e Caatinga.
f) Que a CONAM debata uma política de Reforma Urbana integral,
que contemple a aplicação de instrumentos jurídicos
como o Estatuto das Cidades e o Marco Regulatório do Saneamento.

|